Dados consolidados

Pesquisa DATATEMPO: Lula tem 36% e Bolsonaro soma 22%

Petista venceria hoje todos os rivais no segundo turno, enquanto o atual presidente perderia para cada um deles

Por Ricardo Corrêa
Publicado em 20 de setembro de 2021 | 08:00
 
 
 
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Impulsionado por um eleitorado nordestino, com 16 a 24 anos e renda de até dois salários mínimos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a disputa das eleições presidenciais de 2022, faltando pouco mais de um ano para o pleito. É o que mostra a primeira pesquisa de abrangência nacional do instituto DATATEMPO, cujos resultados começam a ser revelados nesta segunda-feira (20). De acordo com os dados, o petista tem uma vantagem de 14 pontos percentuais sobre o atual presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), na pesquisa estimulada, aquela na qual os nomes dos candidatos são apresentados. Além disso, Lula venceria hoje todos os adversários colocados em simulações de segundo turno, enquanto Bolsonaro perderia de todos eles.

Segundo o DATATEMPO, que fez 2.025 entrevistas domiciliares entre os dias 9 e 15 de setembro em todo o país, Lula teria, se a eleição fosse hoje, 36% dos votos dos brasileiros. Jair Bolsonaro, por sua vez, somaria 22%. Quando são computados apenas os votos válidos, ou seja, excluindo-se aqueles que pretendem votar em branco ou nulo e os que se dizem indecisos, o percentual de Lula chega a 41,9%, enquanto o de Bolsonaro alcança 25,6%. Para que um candidato seja eleito no primeiro turno, ele precisa de mais de 50% dos votos válidos.

O DATATEMPO também realça a dificuldade dos candidatos de terceira via na corrida eleitoral, que aparecem pulverizados, bem atrás dos dois primeiros colocados. O ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT), por exemplo, que é numericamente o terceiro colocado no levantamento estimulado, alcança 7,8% das intenções de voto. Empatado tecnicamente com ele, considerando a margem de erro de 2,18 pontos percentuais para mais ou para menos, está o ex-juiz Sergio Moro (sem partido), que alcança 5,6%. Enquanto Ciro e seu partido dizem que a candidatura é irreversível, Moro ainda avalia se entrará mesmo na disputa. Na sequência, aparecem o apresentador de TV José Luiz Datena (PSL), com 3,1%, e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede), que soma 2,9%. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), registra 2%, enquanto outros nomes citados alcançaram 6,4%. Os eleitores que dizem ter a intenção de votar em branco ou anularem os votos são 8%. Os que não sabem ou não responderam, 6,2%.

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O DATATEMPO também mediu o desempenho dos candidatos na pesquisa espontânea, quando o eleitor é indagado a dizer o nome de seu candidato sem ter uma lista de pretendentes à disposição. Essa modalidade permite inferir a solidificação dos votos nos concorrentes. Na espontânea, a vantagem de Lula é menor. O ex-presidente registra 28,4% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro alcança 23,3%. Os demais candidatos são minimamente citados, sendo que nenhum deles alcança sequer 2% (veja infográfico). Sem a apresentação dos nomes dos concorrentes, 26,5% dos eleitores brasileiros consultados não souberam ou não quiseram responder em quem votarão. Outros 12,8% dizem que votarão em branco ou anularão o voto.

Segundo turno

O instituto DATATEMPO fez sete simulações de segundo turno para medir o desempenho dos candidatos. Enquanto Lula venceria hoje todos os concorrentes testados, Jair Bolsonaro perderia para qualquer um deles. Quando eles se enfrentam, cenário hoje mais provável, o petista alcançaria 53,1%, contra 30,1% de Bolsonaro. Outros 14% dos eleitores votariam em branco ou nulo e 2,8% não souberam ou não responderam.

Para o ex-presidente, a disputa mais apertada seria contra Ciro Gomes. Ainda assim, a vantagem seria de quase 20 pontos: 48% x 28,1%. Outros 20,3% votariam em branco ou nulo e 3,6% não souberam ou não responderam.

Contra duas alternativas tucanas, o petista teria hoje mais vantagem: 52% a 20% contra o paulista João Doria, e 52,6% a 18,6% contra o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Mesmo sem Lula no segundo turno, Bolsonaro teria hoje dificuldades para ser eleito. Principalmente se o concorrente for Ciro Gomes, que o venceria hoje por 50% a 30,4%. Com João Doria, o governador de São Paulo teria 39,4% contra 32,4% de Bolsonaro. A situação menos complicada seria contra Eduardo Leite. Neste caso, embora perdendo numericamente por 35,9% a 33,1%, o presidente consegue empatar com o concorrente tecnicamente.

Desafios para o presidente

Não são apenas os números de intenção de voto que acendem um alerta para o presidente Jair Bolsonaro em sua batalha para buscar mais quatro anos de mandato. Ele também é o mais rejeitado entre os eleitores: 45,8% dos brasileiros dizem que não votariam nele de jeito nenhum. No caso de Lula, a rejeição é de 27,1%. Além disso, a pesquisa indica que a maior parte do eleitorado quer mudanças profundas na administração brasileira, o que é um recado duro para um candidato à reeleição.

Segundo os números, são 56,1% os que querem que se mude totalmente a forma como o Brasil está sendo administrado. Além disso, 28,8% dos brasileiros querem que se mude ao menos um pouco a forma como o país é gerido, dando continuidade em alguns aspectos e mudando outros. Os que querem que se dê continuidade total à forma como o país está sendo administrado são 13,3% (veja a análise sobre o que isso pode indicar sobre o piso de Bolsonaro aqui). Os que não souberam ou não responderam são 1,8%.

Para Audrey Dias, doutora em Ciência Política pela Univerdade Federal de Minas Gerais (UFMG), e coordenadora de pesquisa do DATATEMPO, os dados indicam que a situação do presidente é hoje delicada.

“A situação de Bolsonaro é amarga. Desacreditado, padece com uma avaliação majoritariamente negativa e alta desaprovação (dados detalhados serão divulgados ainda nesta segunda-feira). O peso de uma população com pouca ou nenhuma confiança no trabalho do presidente e a baixa expectativa quanto à melhora do mandato incidem sobre a intenção de voto. O presidente se encontra isolado em um desconfortável segundo lugar. Não coincidentemente, a população afirma preferir votar em um presidente que mude totalmente a forma como o Brasil está sendo administrado, confirmando a condição precária na qual se encontra o atual governo frente aos brasileiros”, explica a cientista política.

A pesquisa

O DATATEMPO realizou 2.025 entrevistas domiciliares entre os dias 9 e 15 de setembro em todas as regiões do país. A margem de erro é de 2,18 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%. A partir das próximas pesquisas os dados poderão ser comprados para que se verifique a evolução do quadro.

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