BRASÍLIA - A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara dos Deputados aprovou, em pouco mais de 20 minutos, sete requerimentos para convocar o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Ele será obrigado a comparecer, em data ainda a ser marcada.

Um dos requerimentos pede que o ministro preste esclarecimentos sobre as queimadas no Brasil e as medidas que têm sido adotadas pela Polícia Federal para apurar as causas dos incêndios que atingem o país.

Lewandowski também terá de falar sobre as acusações de assédio sexual contra o ex-ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, e a apuração das denúncias que resultaram na demissão do ex-chefe da pasta.

Outro requerimento aprovado pede explicações sobre um “possível aparelhamento político no âmbito da PRF”. O documento cita um questionário submetido a agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre a afinidade partidária dos agentes da corporação.

Outro tema caro à oposição e que deve ser abordado com Lewandowski é a operação da Polícia Federal na casa do jornalista Oswaldo Eustáquio, onde reside, a esposa e sua filha Mariana Volf, onde foram realizadas busca e apreensão de objetos. A busca e apreensão se deu por mandado do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Por fim, foram aprovados pedidos para que  Ricardo Lewandowski explique a “pretensão do Governo em editar ato administrativo sobre abordagens policiais a suspeitos, uso de armas e algemas”. Segundo o requerimento, o ato “restringe a atuação policial”.

A Comissão de Segurança Pública é controlada por bolsonaristas, que formam ampla maioria no colegiado, e já tem um histórico de relação conturbada com ministros da área do governo Lula, sobretudo com o ex-ministro Flávio Dino, hoje no STF. Desde que assumiu a pasta, Lewandowski tem atuado para evitar conflitos com o Parlamento.