BRASÍLIA - A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, minimizou um possível impacto do retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos no combate às mudanças climáticas. Ela acredita que a pressão feita pela sociedade fará com que a agenda não tenha retrocessos.
“O esforço climático que já vem andando desde 1992 não vai ser diminuído em função de determinadas sazonalidades políticas. Os EUA são um país importante, o segundo maior emissor do mundo. Mas tem estados que são independentes, as políticas não vão ser descontinuadas”, afirmou.
Nesta terça-feira (12), a ministra e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) representam o Brasil na COP29, a conferência das Nações Unidas sobre as mudanças climáticas, que acontece em Baku, no Azerbaijão.
Em seu primeiro mandato na Casa Branca, Donald Trump relativizou as mudanças climáticas e retirou os Estados Unidos do Acordo de Paris, um tratado assinado por 196 países para limitar o aquecimento da temperatura média do planeta. Além disso, revogou uma série de regras ambientais.
Emissão de gases
Na COP29, o Brasil apresentou uma meta de reduzir em 67% as emissões de gases do efeito estufa até o ano de 2035, em comparação a 2005. Isso representa 850 milhões de toneladas de gás carbônico. Segundo a ministra, todos os setores da economia terão de contribuir.
“Isso será feito graças a um detalhamento com metas para todos. O Brasil tem uma metodologia que atinge a todos os gastos e se estende a todos os setores, como transporte, indústria, agricultura e desmatamento”, afirmou.
Tanto Marina como Alckmin classificaram a meta brasileira como “altamente ambiciosa” e, ao mesmo tempo, “factível”. A ministra destacou, ainda, que o país tem o objetivo de alcançar o desmatamento zero. Para ela, é possível dobrar a produção do agronegócio no país apenas com ganho de produtividade, sem ter que desmatar e expandir fronteiras agrícolas.