BRASÍLIA - Apesar de estar pressionado pelo União Brasil, o ministro do Turismo, Celso Sabino, negou que tenha decidido entregar o cargo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi dada por Sabino nesta sexta-feira (29/8), em Belém (PA), onde inaugurou placas bilíngues de sinalização turística para a COP-30.

Sabino afirmou que não há qualquer decisão tomada. “Como tenho dito desde o começo, sou sustentado no governo por um tripé: primeiro, Deus; segundo, pela indicação da bancada do meu partido na Câmara dos Deputados; e, terceiro, pela confiança do presidente Lula. No momento que eu perder qualquer uma dessas três bases que sustentam esse tripé, sou o primeiro a levantar”, disse o ministro. 

Sabino é pressionado pelo presidente do União Brasil, Antonio Rueda, a renunciar ao Ministério do Turismo em razão do iminente desembarque do partido do governo Lula. Além do deputado federal licenciado, o ministro das Comunicações, Siqueira Filho, e o ministro da Integração Nacional e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, completam a cota da legenda.

Ao contrário de Siqueira Filho e Waldez, indicados a Lula pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), Sabino chegou à Esplanada pelas mãos da bancada federal do partido na Câmara dos Deputados. À época, a bancada estava insatisfeita com a indicação da então ministra Daniela do Waguinho (União-RJ).  
 
Já esgarçada, a relação entre o governo Lula e o União Brasil se acirrou na última terça-feira (26/8), após uma reunião ministerial, quando o presidente teria se queixado das críticas públicas de Rueda. Durante o encontro, Lula ainda teria cobrado que ministros do próprio União Brasil e também do PP tomassem lado e saíssem em defesa do Planalto. 

Em resposta ao presidente, Rueda se referiu ao União Brasil como “uma força política que não se submete ao governo”. “Na democracia, o convívio institucional não se mede por afinidades pessoais, mas pelo respeito às instituições e às responsabilidades de cada um. O que deve nos guiar é a construção de soluções e não demonstrações de desafeto”, escreveu, no X.

No dia seguinte, a bancada federal do União Brasil reconheceu o trabalho de Sabino como ministro de Turismo, mas manifestou “apoio irrestrito” a Rueda. “Nossa atuação, no Parlamento e na vida pública, é guiada pela construção de soluções que atendam aos interesses da sociedade, e não por demonstrações de desafeto”, apontaram os deputados.