O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entrega nesta sexta-feira (16) os trechos central e sul da ferrovia Norte-Sul, colocando em funcionamento uma rota de 1.537 quilômetros de trilhos operada pela Rumo, entre Estrela D’Oeste (SP) e Porto Nacional (TO), que passa por quatro das cinco regiões do país.

A solenidade acontecerá em Rio Verde (GO), uma das mais ricas cidades do agronegócio no país. Ele convidou o ex-presidente José Sarney para participar do evento. A construção da ferrovia começou há 36 anos, no governo de Sarney, que aceitou o convite do petista. 

Mais emblemático projeto ferroviário do país nas últimas décadas, a ferrovia Norte-Sul é cercada de controvérsias e irregularidades. Em 13 de maio de 1987, a Folha de S. Paulo publicou reportagem que mostrou que a concorrência para a obra era uma farsa. De forma cifrada, o resultado das empresas vencedoras tinha sido publicado cinco dias antes. Em 2012, a Polícia Federal deflagrou operação que revelou corrupção nas obras feitas pela Valec, estatal que detinha a concessão da ferrovia. 

Até 2017, a obra já tinha consumido R$ 33 bilhões em valores corrigidos – dos quais ao menos um terço, segundo órgãos de fiscalização, tinha sido superfaturado –, até que em 2019 a Rumo foi vitoriosa num leilão com um lance de R$ 2,7 bilhões (R$ 3,5 bilhões, corrigidos pelo IPCA), considerado agressivo e que superou os R$ 2,1 bilhões (R$ 2,72 bilhões hoje) ofertados pela VLI – só houve dois participantes na disputa. A concessão é válida por 30 anos.

A ferrovia Norte-Sul é essencial para o desenvolvimento ferroviário do país por ser considerada uma espinha dorsal do sistema, ao passar pelas regiões Centro-Oeste, Norte, Sudeste e Nordeste e permitir a ligação entre os portos de Itaqui (MA) e Santos, por meio de trilhos operados por três concessionárias.

O trecho norte da ferrovia, entre Porto Nacional e Açailândia (MA), é administrado pela VLI, e, de Açailândia ao porto de Itaqui, pela Vale, por meio da Estrada de Ferro Carajás. Com o trecho sob gestão da VLI, a Norte-Sul tem, ao todo, 2.257 quilômetros de extensão.

A avaliação do setor é que a operação plena da Norte-Sul permitirá que cargas de estados como Minas e Goiás, sem saída para o mar, sejam escoadas com mais eficiência.

O terminal de Iturama, no Triângulo Mineiro, entrou em operação em junho do ano passado e marcou a entrada da Rumo no mercado mineiro, em parceria com a Usina Coruripe, um dos maiores grupos de açúcar e etanol do país.

A expectativa também é de que cresça a participação do modal ferroviário no transporte de cargas no país. As ferrovias são responsáveis por transportar 21,5% das cargas no Brasil, índice muito inferior aos de países como Estados Unidos (43%) e a Rússia (81%), conforme dados da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF). (Com Folhaprress)

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