BRASÍLIA - Às vésperas do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete réus, um homem ameaçou explodir uma bomba na Praça dos Três Poderes, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), na manhã deste sábado (30/8).

De acordo com a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), o homem identificado como Daniel Mourão, de 45 anos, encontrava-se em estado de agitação e alegava portar explosivos em uma mochila, ameaçando detoná-los.

Segundo relatos da PM, um batalhão iniciou o processo de negociação às 5h15, enquanto o suporte do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) foi acionado. Por volta das 6h45, o homem foi preso pelo Bope. 

Uma equipe do Esquadrão Antibombas realizou a varredura e a inspeção minuciosa dos pertences do suspeito. Não foi encontrado nenhum artefato explosivo ou arma. Na mochila, havia apenas itens pessoais. Não houve vítimas.

O homem foi atendido no local pelo Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF), que apontou um surto psicótico e transportou o acusado para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) por apresentar sinais de distúrbios psiquiátricos.

Após o atendimento médico, ele será encaminhado à Delegacia de Polícia. 

Segurança foi reforçada em razão do julgamento

O julgamento do chamado "núcleo crucial" da ação penal da suposta tentativa de golpe começa nesta terça-feira, dia 2 de setembro, e tem previsão para terminar no dia 12. 

Um esquema de segurança reforçado já foi montado pelo STF, que convocou 30 policiais de tribunais de todo o Brasil para garantir a segurança do prédio, dos ministros e dos arredores do Supremo. 
  
Os agentes estão dormindo dentro no tribunal, onde foi montado um alojamento para quem não é de Brasília. Eles devem permanecer no local até o dia 29 de setembro, quanto o ministro Edson Fachin será empossado presidente da Corte, em substituição a Luís Roberto Barroso.  
 
A partir de segunda-feira (1º/9), a Polícia Militar do DF já reforça a segurança na área externa do STF. O acesso de pedestres na Praça dos Três Poderes será restrito. A Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) afirmou também que o monitoramento contará com equipamentos de última geração, incluindo drones com capacidade de imagem térmica, que permitem varreduras diurnas e noturnas.

Ainda na manhã do dia 2 de setembro, às 6h, a Polícia Federal realizará uma varredura completa no STF, incluindo os prédios e áreas externas, com o auxílio de cães farejadores. Além disso, a Secretaria de Segurança Pública do DF se declarou pronta para interditar a Esplanada dos Ministérios, se houver necessidade de reforço.

Com essa operação, o STF busca reduzir riscos em um julgamento considerado histórico, que colocará no banco dos réus Bolsonaro e parte de sua cúpula política e militar, acusados de participação em trama golpista para reverter o resultado das eleições de 2022.

Homem se explodiu em frente ao STF

Em novembro de 2024, Francisco Wanderley Luiz, de 59 anos, morreu em frente ao STF, após detonar um explosivo. Antes, ele tentou entrar no Supremo. Ao ser impedido, se aproximou da estátua da Justiça, colocou uma mochila no chão, retirou uma blusa e a arremessou na direção da estátua. Os seguranças, então, chegaram perto dele e ele teria mostrado artefatos em seu corpo. Ele ainda carregava consigo uma espécie de detonador. 

O segurança relata ainda que Francisco disparou "dois ou três artefatos" antes de se deitar no chão e detonar uma das bombas. "Na lateral, o indivíduo deitou no chão, acendeu o último artefato, colocou na cabeça com um travesseiro e aguardou a explosão", conclui o relato.

O homem era de Santa Catarina e apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro.