BRASÍLIA – A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério dos Povos Indígenas (MPI) acionaram a Polícia Federal (PF) para investigar ameaças contra indígenas dos povos Guarani e Kaiowá, no Mato Grosso do Sul, após a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no último domingo (25/10).

Entre as ameaças está a de envenenamento da água consumida por moradores da Aldeia Sassoró, em Tacuru. Também há ameaças de morte e denúncias de atropelamentos propositais em outras cidades do estado. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul e a PF não confirmaram mortes relacionadas à violência política.

Siga O TEMPO no Google e receba as principais notícias
Seguir no Google

Leia mais: MPT processa empresário por estimular a demissão de trabalhadores que teriam votado em Lula

Mas um servidor da Prefeitura de Tacuru foi afastado das funções e será alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD), após ser identificado como um dos autores da ameaça de envenenamento da água consumida por moradores da Aldeia Sassoró, que fica a 423 quilômetros de Campo Grande, a capital do estado.

“Já falei, tem que pôr veneno na água, matar essas pragas na água”, diz um trecho dos áudios que circulam nas redes sociais. Em outro trecho, um homem diz que “pode morrer de ajudar esses capetas dentro do que tiver aí, o homem se mata de ajudar um, ajudar outro, e esses cão fazem isso aí”.

O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti (PSDB), publicou nas redes sociais um vídeo gravado na Aldeia Sassoró, ao lado de uma moradora da comunidade. Na gravação, ele afirmou que as divergências políticas após as eleições não deveriam provocar conflitos e pediu desculpas pelas falas registradas no áudio do servidor que circulou em grupos de WhatsApp.

“É um mal-entendido, se expressaram mal ontem na hora de euforia, né, por conta de talvez um pouco de álcool”, disse o prefeito, que fez campanha para Flávio Bolsonaro. Ele ainda pediu que a comunidade perdoasse os autores dos áudios com ameaças. 

“Esse servidor, um excelente servidor, inclusive, trabalha na infraestrutura, com caminhão-caçamba. De antemão, até o momento a gente não foi intimado por nenhuma esfera. Nosso jurídico entendeu que um processo administrativo será aberto e que o servidor será afastado”, afirmou.

Já o cacique Ivan Montiel (PSDB), liderança da Aldeia Sassoró e vereador de Tacuru, publicou um vídeo em que condena as ameaças. Ele afirmou que vai buscar a responsabilização dos envolvidos nas esferas criminal e cível. “Eu gostaria de deixar aqui, na condição de cacique e vereador da aldeia Sassoró, que não vamos aceitar esse tipo de preconceito contra nossa comunidade, ameaçando colocar veneno em água”, afirmou.

Tacuru foi o primeiro município de MS a concluir a apuração do segundo turno, às 18h40 de domingo. O município registrou 5.234 votos, o equivalente a 74,74% de comparecimento entre os 7.003 eleitores aptos a votar. Lula foi o candidato mais votado, com 3.189 votos (62,19% dos válidos), contra 1.939 votos de Flávio, o equivalente a 37,81%.

Além do caso da Aldeia Sassoró, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) acionou órgãos federais após receber outras  denúncias de violência contra indígenas em Mato Grosso do Sul. Elas incluem supostas mortes em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, ameaças de morte e manifestações racistas.