Após o Santos vencer por 2 a 1 no tempo normal, o Cruzeiro derrotou o Santos na disputa por pênaltis em noite abençoada do goleiro celeste. Fábio pegou três pênalti.

O gol de Thiago Neves, logo aos 12 min de jogo, deu a ilusão de que a noite de ontem seria tranquila para o Cruzeiro. No Mineirão, o time costuma sepultar os adversários. No entanto, o Santos remou contra a maré e conseguiu, em dois lances de displicência celeste, a virada por 2 a 1, levando o jogo para os pênaltis. Os quase 50 mil torcedores presentes no Mineirão vivenciaram o drama, mas a figura gigantesca de Fábio tratou de devolver o curso natural das coisas em uma das mais espetaculares performances de um goleiro na história do Mineirão. A noite de Fábio. 

Vocês já viram um "hat-save" de um goleiro? O camisa 1 celeste o fez. Três defesas em sequência para mandar um recado claro a todos que duvidam: "Ele é o melhor goleiro do Brasil". Que Tite tenha ouvido em alto e bom som. O Cruzeiro está em mais uma semifinal de Copa  do Brasil. 

O jogo

O regulamento era favorável. Um simples empate para avançar à mais uma semifinal de Copa do Brasil. Imagina quando se tem ainda um corredor para explorar? Aproveitando uma brecha no sistema tático de Cuca, que mandou a campo quatro homens de ataque - Arthur Gomes, Bruno Henrique, Rodrygo e Gabriel -, Thiago Neves foi jogar nas costas do lateral Dodô. Não se pode bobear na frente do camisa 30 celeste. Aos 12 min, livre na direita, o cruzeirense cortou para dentro e chutou rasteiro para vencer o goleiro Vanderlei. O 11º gol do meia, artilheiro do Cruzeiro na temporada ao lado de Arrascaeta. 

Tudo parecia conspirar na mais perfeita ordem. Mas uma bola na trave de Arrascaeta trouxe de volta a realidade do duro compromisso que se desenharia no Mineirão. Uma chance que não pode deixar escapar. Era o prenúncio. O Santos, aos poucos, foi se achando e em uma jogada de troca de passes em frente à área, Dodô, o mesmo que deu mole no gol de Thiago Neves, encontrou Gabigol que fuzilou a meta com um forte chute no canto de Fábio. 
Estava difícil fisgar o Peixe. E os postes do Mineirão estavam dispostos a dar uma carga extra de emoção no jogo. Em bola alçada à área no segundo tempo, a cabeçada de Dedé explodiu no travessão. Mais uma! O jogo corria tenso no gramado, com o Santos a um gol da possibilidade de igualar o agregado e levar a disputa para os pênaltis. Foi o que aconteceu. 

Minutos depois de uma discreta consulta ao VAR por parte do juiz Rodolpho Toski Marques, em análise a um suposto toque de mão dentro da área, o Santos partiu em velocidade pela direita, Rodrygo recebeu de Gabriel e cruzou para Bruno Henrique desviar de cabeça e marcar. Uma displicência que não se pode cometer aos 38 min da etapa final. 

No último lance do tempo normal, o torcedor celeste ainda segurou a respiração. O Santos partia no contra-ataque, mas o juiz acabou o jogo antes da conclusão da jogada para desespero dos paulistas.

Tudo se resolveria nos pênaltis. Mas a primeira vitória de Cuca desde a chegada ao alvinegro praiano estava confirmada. Os santistas comemoravam a sobrevida, mas Fábio estava preparado para conter a euforia. Na marca da cal, ele se agigantou e defendeu três cobranças seguidas para explodir o Mineirão. Uma noite mágica, irretocável do homem que mais vezes vestiu a camisa do Cruzeiro na história.