Aos 36 anos, Varejão chega à sua terceira edição de Copa do Mundo de basquete. Um atleta ainda mais calejado e que se tornou referência de uma geração que, apesar de ter feito o Brasil voltar aos Jogos Olímpicos, sonha com um feito que consagre de vez o trabalho que fez com que muitos desses nomes de peso atingissem o patamar de uma NBA, por exemplo. Há cinco anos, na Espanha, o jogador viveu essa expectativa. E o Brasil não fez feio. Terminou em sexto lugar, caindo nas quartas de final em um jogo atípico para a Sérvia. Dessa vez, com um grupo modificado, Varejão enxerga uma seleção preparada para surpreender.
"Na época, eu falei isso mesmo, que poderia ser uma das últimas chances da nossa geração de estarmos juntos na seleção brasileira e tudo mais, mas ainda temos alguns daquele time agora. Foi feita uma renovação e tudo mais, uma mescla entre os mais velhos e experientes, com uma geração que vem no meio e também os mais novos que estão chegando", analisou o pivô, em entrevista exclusiva ao Super FC.
"O grupo vem respondendo bem às mudanças, as provas que o Petrovic fez durante a preparação e os amistosos. É um time que chega com uma mescla grande entre veteranos e essa nova geração de Didi, Yago. Acho que vamos disputar essa Copa com uma equipe bem mais mesclada do que foi em 2014. Naquela época era quase todo mundo da mesma idade e com a mesma experiência, claro que com alguns mais que os outros, mas todo mundo estava bem próximo", ressalta o jogador.
Mas Varejão reconhece, mesmo mantendo sua cabeça apenas fixa na Copa do Mundo, que sua trajetória na seleção se aproxima do fim. E nada melhor do que poder coroar essa trajetória ao menos com um pódio, algo que não acontece desde 1978, quando a seleção foi a terceira colocada do Mundial.
"Eu não sei se sinto me passando o bastão. Para mim, com certeza, está mais para o final ou até para o meio do que para início da minha história com a seleção brasileira. Está chegando ao fim, sim, falta pouco. Mas eu sempre estive à disposição da seleção brasileira, estou me sentindo bem, acho que ainda estou jogando um nível que posso ajudar", pontuou.
O NOME VAREJÃO
Ter jogado na NBA ao lado de estrelas como LeBron James e Stephen Curry fez com quem Varejão se tornasse uma figura conhecida em todo o mundo do basquete. A cabeleira inconfundível o faz ser um dos rostos do Brasil, que tenta na China superar um difícil grupo com Nova Zelândia, Grécia e Montenegro. Mas esse respeito adquirido está longe de determinar o resultado dos desafios que o Brasil terá pela frente.
"Todos têm uma história e isso ninguém pode tirar. Acho que o espaço que a gente conquistou, eu falo os mais veteranos, com toda a experiência que conquistamos nos basquete mundial, ninguém vai tirar de nós. Esse respeito existe sim, até das gerações mais novas que estão chegando, de outras seleções. Mas sabemos que isso não ganha jogo. Temos que manter o foco, continuar nossa preparação forte, agora falta pouco para a nossa estreia e é cabeça boa para fazer uma boa Copa do Mundo. De 2014 para 2019, acho que tivemos, sim, altos e baixo, alguns momentos que não foram tão bons no basquete brasileiro, mas são águas passadas e agora é focar no que tem pela frente porque a gente tem uma grande chance aí de surpreender", observou Varejão.
A AMEAÇA GIANNIS
Dentre as maiores ameaças para a seleção brasileira está Giannis Antetokounmpo, jogador mais valioso da última temporada regular da NBA, e principal estrela da Copa do Mundo de basquete. O grego contagiou a seleção de seu país que, sem sombra de dúvidas, vai ser a maior pedreira brasileira na primeira fase da competição. Saber como parar o "Greek Freak" ainda é uma resposta difícil de ser dada. Mas Varejão confia que o Brasil será capaz de diminuir o volume de jogo de Giannis.
"A gente sabe do potencial dele, não foi à toa que ele foi o MVP da temporada da NBA, um cara que está jogando com muita moral, com muita confiança, vem vivendo um momento muito bom e está passando isso para toda a seleção da Grécia, mas o jogo é resolvido na quadra. Acho que a gente tem que acreditar no nosso potencial também e tentar fazer de tudo, de acordo com a estratégia que o Petrovic vai passar para nós para tentar diminuir um pouco o volume de jogo dele", destacou o pivô brasileiro.
VEM PARA MINAS DEPOIS DO MUNDIAL?
Agente livre depois de uma saída tumultuada do Flamengo, Anderson Varejão é um dos nomes que surge como possibilidade de reforço do Minas para a próxima temporada do NBB. A reportagem questionou ao atleta se ele poderia formar um "Big 3" ao lado de Alex e Leandrinho, dois jogadores do Minas e que estão ao lado do pivô brasileiro na disputa da Copa do Mundo, mas Varejão preferiu deixar seu futuro aberto, salientando que vai esperar o fim do torneio mundial para decidir a sequência de sua carreira.
"Essa minha passagem pelo Flamengo foi de um ano e meio, eu vejo como muito positiva. Cheguei na metade da temporada do ano passado e a gente acabou a fase de classificação do NBB em primeiro, perdemos na semifinal para o Mogi, mérito deles. E, no ano seguinte, a gente foi campeão do Campeonato Carioca, Super 8, NBB, uma temporada muito positiva e com muitos títulos. Agora sou agente livre. Estou esperando para ver o que vai acontecer. Muitos falam sobre o Minas, alguns falaram de Franca, mas ainda no momento não tem nada, meu foco está sendo total na Copa do Mundo para depois eu ver como que vai ser, o que realmente está acontecendo para tomar uma decisão", disse o pivô, de 36 anos.
Informações de bastidores dão conta de que a oferta do Minas agradou o staff de Varejão. Seria uma das melhores ofertas que o atleta recebeu na atual janela. Mas, como salientou à reportagem, Varejão deixou a decisão para depois da Copa, mantendo o foco no desempenho com a seleção.
O Brasil faz sua estreia na Copa do Mundo de basquete no dia 1º de setembro, domingo, às 5h, contra a Nova Zelândia. Depois, o time volta à quadra no dia 3 de setembro, às 9h, para o tão aguardado confronto frente a Grécia de Giannis Antetokounmpo. A seleção fecha sua participação na primeira fase contra Montenegro, às 5h, no 5 de setembro.