Daniel Ottoni
@dottoni
13/01/21
11h31

Novo esporte olímpico

Breakdance: mineira é referência e mostra caminhos de evolução da modalidade

Isabela Rocha, a Itsa, de 21 anos, pede que estilo não perca sua essência com entrada nos Jogos e lamenta que potencial do Brasil ainda não é bem explorado

Itsa conheceu a dança aos 12 anos e nunca mais parou de evoluir — Foto: Dean Treml- Red Bull Content Pool
Daniel Ottoni | @dottoni
13/01/21 - 11h31

Independentemente de se tratar de uma dança ou esporte, o fato é que o breakdance estará presente na Olimpíada de Paris, em 2024. Uma das vertentes do hiphop ganha, com a presença no maior evento esportivo do mundo, um caminho sem volta, para ter mais visibilidade, respeito e valorização. No cenário brasileiro, sai do bairro Tirol, no Barreiro, em Belo Horizonte, uma das representantes mais fortes desta modalidade. 

Com 21 anos, Isabela Rocha, a Itsa, ganhou importante projeção em 2019 ao vencer o Red Bull BC One, um dos maiores eventos nacionais do estilo. A b-girl é uma das personagens do novo capítulo do Until18, projeto da Red Bull que conta a história de personagens relembrando como foi a transformação em suas vidas ao completar a maioridade. O episódio pode ser conferido na Red Bull TV ou ao final desta matéria. 

"A dança sempre esteve muito presente na minha vida. Viver disso no Brasil é muito árduo, é preciso correr atrás, é um cenário em que não se costuma ser bem pago, é complicado ganhar experiência, não é algo tão valorizado. Mas, se 'botar a cara', é possível atingir os objetivos. Nunca imaginei que o breakdance poderia se tornar um esporte olímpico, fiquei muito surpresa com essa confirmação. Acho que a competitividade pesou muito nessa escolha", conta. 

Para Itsa, para se dar bem na modalidade, é preciso ir além de ser um bom dançarino. Quem sobe no palco para os movimentos em busca de convencer os jurados, precisa sentir na pele o que faz, respirar o ambiente do hiphop, conhecer sua história e ter uma ligação de verdade com o cenário.

"Essa dança surgiu em Nova York, nas batalhas no Bronx, Queen, Manhattan, no clubes da cidade. Isso fez com que ela se separasse da questão da violência. O estudo pra entender do que se trata é importante, é uma história genuína de mais de 40 anos que segue em construção, que vem da conexão com o hiphop, das batalhas, do grafite. Vai além de se apresentar, é uma forma de dizer algo para a sociedade, é um jeito de buscar um diálogo constante", reflete. 

Itsa indica que a fluidez e criatividade dos movimentos é fundamental para convencer os jurados, precisando também se conectar com DJ e o público presente, além dos próprios adversários. Ao mesmo tempo em que comemora a presença na Olimpíada, a mineira pede que a essência do breakdance não seja perdida.

"Estamos falando de um estilo de vida, eu vivo isso, escuto música enquanto ando por aí, é algo muito mais extenso do que uma dança. O break não é algo engessado, está em transformação e essa consciência é importante para ele não ser transformado em um esporte e deixar de lado suas diretrizes", sugere. 
Itsa sabe do potencial do break para ultrapassar barreiras mas lembra que o caminho de evolução ainda é longo.

"Ainda falta uma gestão mais bem feita dentro da cultura hip hop do Brasil, não temos um sistema que permite o capital girando, a economia sendo fomentada a partir deste cenário. Existem convites sem remuneração, oferecem ajuda de custo, aquele famoso pão com mortadela e refrigerante. Agora, espero uma maior valorização com a entrada nos Jogos. O Brasil é uma potência, mas ainda não tem a estrutura para aproveitar um potencial gigantesco. Não vemos lá fora a mesma genuidade daqui, a originalidade para explorar corpo e movimento. O que falta por aqui é a estrutura, a presença de escolas de break para crianças e adultos, algo que vemos lá fora. Se isso existisse por aqui, seríamos ainda maiores no cenário do break", revela. 

Confira o episódio do Until18 com Itsa

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