A Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) divulgou nesta quinta-feira (28) um posicionamento crítico sobre a SAVE, a Diretriz Nacional sobre Ocupações Destinadas a Garagens e Locais com Sistemas de Alimentação de Veículos Elétricos, publicada nesta semana, pelo Conselho Nacional dos Comandantes-Gerais dos Corpos de Bombeiros Militares (Ligabom).


Para a entidade, o texto apresenta avanços, mas impõe obstáculos que podem frear a expansão da eletromobilidade no Brasil.


Pontos positivos reconhecidos 


Em comunicado divulgado para a imprensa, a ABVE aponta que a diretriz traz avanços importantes em relação à instalação de equipamentos de recarga, como:

  • Exigência de conformidade com normas técnicas;
  • Implementação de sistemas de corte de energia e desligamento manual;
  • Melhoria na sinalização de segurança;
  • Regras mais modernas para edificações novas


Principais críticas à diretriz


Apesar dos pontos positivos, a ABVE afirma que o texto dificulta a instalação de pontos de recarga em prédios existentes e cria um cenário de insegurança regulatória. Entre as críticas destacadas pela associação estão:

  • Obrigatoriedade de instalação de chuveiros automáticos (sprinklers) e detecção de incêndio em toda a garagem caso haja um sistema de recarga, medida considerada cara e desproporcional.
  • Desestímulo à modernização de edifícios, ao impor custos altos apenas para quem adota tecnologias mais limpas.
  • Confusão técnica sobre modos de recarga e padrões de conectores.
  • Ausência de referências internacionais que justifiquem a exigência de sprinklers, não há norma similar em outros países.


Segurança deve ser universal


A ABVE defende que a segurança nas garagens deve ser aplicada a todos os veículos, não apenas aos elétricos. A entidade cita exemplos de incêndios recentes, como:

  • Estacionamento de Liverpool (em 2017), originado em um veículo a combustão;
  • Aeroporto de London Luton (em 2023), também causado por carro a combustão.


Segundo dados do próprio Corpo de Bombeiros de São Paulo, ocorrem cerca de 16 incêndios de veículos a combustão por dia, totalizando quase 6 mil casos por ano apenas no estado.


Risco de judicialização


Outro ponto sensível para a ABVE é o prazo de implementação: a diretriz prevê vigência em 180 dias e exige adequações imediatas, algo considerado inviável para condomínios, shoppings e aeroportos.


Além disso, o documento não respeita o acordo construído ao longo de 17 meses de negociações entre entidades como ABVE, Secovi, Sinduscon e representantes do Corpo de Bombeiros de São Paulo.


A associação teme que a medida leve a uma judicialização em massa e aumente conflitos entre condôminos, administradores, empresas de recarga e proprietários de veículos elétricos.


O que a ABVE pede?


A entidade quer que a diretriz nacional seja revisada com base na neutralidade tecnológica, evidências científicas e padrões internacionais de segurança.


Caso a nova norma não seja ajustada, a ABVE sinaliza que poderá apoiar medidas legislativas para garantir o direito à recarga dos carros elétricos e proteger consumidores e fabricantes.