Respeito

No Dia do Orgulho LGBTQIAPN+, entenda quem define a sigla e qual é a mais usada

De GLS até as nomenclaturas atuais, termo é atualizado ao longo do tempo para dar visibilidade à luta por direitos


Publicado em 28 de junho de 2023 | 06:00
 
 
 
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Esta quarta-feira, 28 de junho, é o Dia Internacional do Orgulho LGBT. Ou do Orgulho LGBTQIA+? Ou, ainda, do Orgulho LGBTQIAPN+? A sigla evolui desde os anos 90, quando ainda se utilizava o termo GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), hoje em desuso. Ela continua passando por transformações constantes e pode confundir quem não está acostumado a ouvi-la. Mas, independentemente da forma que toma, serve ao mesmo propósito, defendem pesquisadores do tema: dar visibilidade a uma população que ainda não tem plenos direitos no Brasil e no mundo.

Do GLS ao LGBT

Além de estar fora de moda, falar GLS não quer dizer muita coisa. A sigla para “gays, lésbicas e simpatizantes” deixa muita gente de fora e ainda inclui pessoas que simplesmente “simpatizam” com a luta por direitos da população LGBTQIA+. O termo foi popularizado com boas intenções, em 1994, pela jornalista  Suzy Capó (que já foi, inclusive, colunista da seção “GLS” de O TEMPO nos anos 2000). Ela o utilizou nos preparativos para o festival de cinema Mix Brasil, que celebrava o cinema alternativo, e ele logo foi incorporado por mais pessoas. 

O pesquisador da história LGBTQIA+ de Belo Horizonte Luiz Morando explica que, naquela época, a sigla não era considerada problemática, porém o cenário mudou quase 30 anos depois. “Atualmente, ela é um problema porque, primeiro, simplifica muito a diversidade. A sigla também não incorpora a população T, de transgêneros e travestis, que é um grupo muito marginalizado, alvo de muitas mortes e que precisa ter visibilidade. GLS ficou muito desatualizado”, explica ele.

Além de GLS, também se utilizou a sigla GLBT durante alguns anos. Mas ela foi formalmente abandonada no Brasil em 2008, durante a 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, encontro promovido pelo governo federal com entidades representativas dessa população. Decidiu-se adotar LGBT. A mudança buscou dar mais visibilidade às mulheres lésbicas, o L da sigla, pois a população de homens gays vinha tomando o protagonismo do movimento em alguns espaços.

Falar somente LGBT+ não basta?

O + utilizado após as letras da sigla abre portas para uma infinidade de expressões de sexualidade e identidades de gênero, então por que não meramente utilizar LGBT+ e parar a sigla por aí? O pesquisador Luiz Morando justifica: “Mesmo com o sinal de +, que pressupõe que existem outras letras, orientações e identidades, é sempre bom dar mais visibilidade a elas, porque isso obriga as pessoas, de certo modo, a compreenderem, pensarem, refletirem e até se sensibilizarem com essas diferenças na nossa população”.

A diversidade de letras também leva pessoas a buscar informações para entender melhor o que cada uma designa, defende o professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e coordenador do Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania LGBT (Nuh/UFMG), Marco Aurélio Máximo Prado. “As pessoas ficam curiosas, querem saber, pedem explicações, vão à internet. Essas letras aparecem no cotidiano de pessoas que, geralmente, não pensariam nelas”, avalia.  

O certo é LGBTQIAPN+?

A sigla, como o entendimento sobre a diversidade sexual e de gênero na nossa sociedade, está em constante atualização, e não existe um órgão que determine qual é sua forma oficial. No Brasil, tem se tornado comum utilizar LGBTQIA+, que é, inclusive, o nome da secretaria nacional vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDH), liderada pela travesti paraense Symmy Larrat. “Não há sigla mais correta ou menos. No entanto, há pessoas que usam outras letras para falar da diversidade cultural, de gênero e sexualidade e fazer aparecer publicamente expressões que estão muito invisíveis”, pontua o professor Marco Aurélio Máximo Prado.

Internacionalmente, é comum que entidades utilizem LGBTI+ ou LGBTQI+. Alguns movimentos sociais também utilizam LGBTQIAPN+, que inclui panssexuais e pessoas não binárias. “Acredito que a tendência é o governo brasileiro utilizar LGBTQIA+, que é o que usa com mais frequência”, opina o pesquisador Luiz Morando. Neste ano, após adiamentos durante a pandemia de Covid-19, ocorrerá a 4ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais, e há expectativa de que ela também ofereça um consenso sobre qual é o termo mais corrente no país.

O que significam as letras de LGBTQIAPN+?

  • L: lésbicas. Mulheres que sentem atração por outras.
  • G: gays. Homens que sentem atração por outros.
  • B: bissexuais. Pessoas que sentem atração por mais de um gênero. 
  • T: transexuais ou travestis. Pessoas que não se identificam com o gênero que foi socialmente designado a elas no nascimento. Travesti é um termo comum no Brasil e é a própria pessoa quem diz se prefere ser identificada dessa forma ou como transexual.
  • Q: queer. Pessoas cuja identidade transita entre gêneros ou que não concordam com a divisão de gêneros e não performam um gênero específico.
  • I: intersexo. Pessoas que nascem com características sexuais biológicas de dois sexos.
  • A: assexuais. Pessoas que não têm atração sexual por outras. Isso não significa que não se relacionem afetivamente.
  • P: panssexuais. Pessoas que sentem atração por pessoas sem levar em conta o gênero.
  • N: pessoas não binárias. Pessoas que não se identificam somente com o gênero masculino ou feminino.

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