ENTENDA RELAÇÃO

Justiça descreve série de abusos de homem contra adolescente que sumiu em BH: ‘Manipulação’

Menina teria mudado de comportamento; ela ficava dias com o “namorado”, faltava aulas e não tinha mais hobbies

Por Isabela Abalen
Publicado em 10 de junho de 2024 | 13:24
 
 
 

Uma adolescente de 16 anos que perdeu a personalidade para caber no que deseja um homem de 38. Uma relação que começou quando ela tinha 13, e tomou, aos poucos, toda a sua rotina: Mariana Muniz Pereira passou a ignorar a escola, largou terapeuta, trabalho e academia para estar com o suspeito. No documento da medida protetiva contra o “namorado”, aberto pela família, a Justiça afirma “clara situação de violência psicológica, manipulação, isolamento e outros tipos de violências piores, possivelmente sexual”. Os trechos foram usados como argumento para que, em audiência de custódia, nesta segunda-feira (10 de junho), fosse definido que o homem continuasse preso

O caso tomou repercussão após a Mariana desaparecer no bairro Castelo, na região da Pampulha, em Belo Horizonte, na última quinta-feira (6 de junho), e ser encontrada com o homem, no sábado (8). A Justiça, na decisão da medida protetiva, viu no relacionamento da adolescente uma situação de violência doméstica e familiar, em que seria urgente o afastamento dos dois. Segundo o arquivo, o homem exercia controle sobre a menina, a afastando do convívio com os pais e familiares e definindo os seus gastos financeiros. Um relato da mãe de Mariana ilustra o desespero da família no documento: “Ele (o agressor) fez uma lavagem cerebral nela”, denuncia

“Ela bloqueou toda a família. Está faltando muito à aula, parou de fazer tudo”, reclamou a mãe aos órgãos de segurança pública, chamando atenção para a mudança de comportamento da adolescente. A mulher confessou que, quando descobriu a relação, após cinco meses em segredo, ela aceitou o “namoro”, mesmo a menina tendo 13 e ele 36, com a esperança de manter a filha por perto. “Queria saber o que ela estava fazendo”, lamentou. Mas os abusos foram ficando mais sérios a cada ano de aproximação da adolescente com o suspeito.  

Adolescente fazia diversas transferências para o homem e zerou conta poupança 

Conforme os argumentos aprovados pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) para a concessão da medida protetiva, o homem exercia influência sobre a adolescente até mesmo nos seus gastos financeiros. “[A menina] passou a ter gastos exagerados no cartão de crédito, fazendo diversas transferências para o namorado, chegando a ter esvaziado totalmente a própria conta poupança, o que a fez pedir dinheiro a terceiros”, diz o documento. 

Afastada de tudo que não fosse o homem, o que é característico de uma relação abusiva, a adolescente chegou a passar 20 dias com o agressor sem dar satisfação à família. “Ela começou a ficar agressiva e a evitar contato com os genitores, até mesmo por telefone”, descreveu a decisão da Vara Especializada em Crimes Contra Criança e Adolescente da Comarca de Belo Horizonte. 

Homem foi proibido de se aproximar da adolescente 

O MPMG definiu a situação como “gravíssima”. “Havendo perigo para a integridade sexual da ofendida, caso nenhuma providência seja adotada”, afirmou o órgão. O homem foi, então, proibido de ficar até 300 metros próximo da adolescente, além de não poder contatá-la ou seus familiares e amigos por qualquer meio de comunicação – internet, redes sociais, telefone, carta, etc.

Medida que foi descumprida quando a Polícia Civil descobriu que era ele que estava com a menina após ela desaparecer no bairro Castelo na última quinta-feira (6 de junho). 

A prisão do homem é, até o momento, por ele ter descumprido a medida protetiva. A adolescente foi ouvida pela Polícia Civil, na presença de seu representante legal, e entregue à família. O inquérito segue em sigilo, como define o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). 

Maioria dos desaparecidos em MG é meninas adolescentes, alerta Polícia Civil

Meninas de 12 a 17 anos são as que mais somem do rastro das famílias em Minas Gerais. As adolescentes motivaram 6.738 registros de desaparecimento nos últimos cinco anos. É como se, por dia, três deixassem de retornar às residências.

O número abre exceção à regra não só ao ocupar o ranking à frente dos meninos da mesma idade, mas do total de desaparecimentos no Estado. Entre as motivações dos “sumiços”, estão violência doméstica e conflitos familiares. Entenda em matéria completa clicando AQUI.

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