Procedimentos estéticos

Chega a 20 o número de casos de bactéria após cirurgia em BH; PC faz operação

Cenário é considerado surto, uma vez que houve aumento repentino de casos em somente um local

Por Vitor Fórneas
Publicado em 23 de abril de 2024 | 14:33
 
 
 

O número de pacientes da clínica da dentista Camila Groppo que se infectaram com a Micobactéria de Crescimento Rápido (MCR) passou para 20. A informação foi atualizada pela Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte nesta terça-feira (23 de abril). O cenário é considerado surto, uma vez que houve aumento repentino de casos em somente um local. A Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão contra a profissional (veja abaixo).

Dos pacientes que procuraram atendimento nas unidades de saúde, cinco casos tiveram infecção confirmada por Mycobacterium abscessus. Segundo a SMSA, “os demais seguem em investigação”, no entanto já se sabe que é micobactéria não tuberculosa de crescimento rápido.

O Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), também investiga o surto com as análises sendo realizadas pela Fundação Ezequiel Dias (Funed). 

Operação

A Polícia Civil cumpriu três mandados de busca e apreensão contra a dentista Camila Groppo. A profissional é investigada por supostos erros praticados durante procedimentos estéticos, causando graves infecções em diversas pacientes. 

“As investigações tiveram início a partir de boletins de ocorrências que foram registrados pelas vítimas noticiando a realização do procedimento estético de lipoaspiração de papada em uma clínica localizada na região central da capital”, informou a Polícia Civil. Uma coletiva de imprensa foi convocada para esta tarde para que mais informações sejam repassadas pela instituição.

A reportagem tentou contato com a defesa da dentista, porém não conseguiu. O espaço segue aberto para posicionamento.

O que se sabe sobre a doença?

O TEMPO conversou com o médico Adelino Melo, que é presidente da Sociedade Mineira de Infectologia. De acordo com o especialista, esse microrganismo pode ser encontrado em diversos espaços, tais como casas, hospitais, clínicas, entre outros. Porém, segundo o infectologista, essas micobatérias possuem dificuldade de contato com o organismo humano. O que pode ser facilitado por meio de um procedimento cirúrgico, como exemplifica o médico.

  • O que é a micobatéria?

De acordo com o médico Adelino Melo, essa é uma bactéria com características específicas. "Embora seja da mesma família das bactérias causadoras da tuberculose, não é a mesma. Elas estão nos ambientes em que convivemos, mas geralmente não nos afetam", explica.  

  • Como elas se desenvolvem?

Segundo o infectologista, essas micobactérias se desenvolvem em ambientes úmidos. "São bactérias que crescem na água. Por isso, muitos dos casos têm relação com esse processo de esterelização", detalha.

  • Como ocorre a infecção?

As infecções, segundo o médico, estão quase sempre restritas a pacientes que se submeteram a algum procedimento estético, seja em clínicas, consultórios e hospitais. "Não é uma infecção que você se depara no dia a dia. Geralmente está associada a esses procedimentos médicos, que facilita a invasão dela ao organismo humano", indica.

  • A infecção é perigosa?  

Adelino avalia que as infecções podem ser perigosas, mas, em sua maioria, não ameaçam a vida. "Podem trazer impactos graves nas questões estéticas, como marcas definitivas, cicatrizes, entre outros. Porém, o risco de morte é muito baixo", afirma.

  • Como é o tratamento?

O médico infectologista considera o tratamento como complexo. Isso porque, segundo ele, além do longo período, o tratamento demanda uma combinação de medicamentos.

"São três ou quatro tipos de remédios associados. É algo que dura meses, já que possui uma resposta lenta e gradual. Não é como uma infecção de pele que você trata em uma semana, só com um medicamento", destaca.

  • Como prevenir?

Conforme o especialista, esse é um cuidado primordial para o profissional que atua em consultórios, clínicas, hospitais, entre outros. A principal forma de evitar a infecção, segundo ele, é seguir as determinações da Anvisa em relação aos procedimentos de esterilização dos materiais.

"É preciso usar o equipamento adequado, a solução com a concentração correta, dentro do prazo de validade. Para a população, é importante buscar informações sobre esse profissional, sempre optando por alguém que tenha boa reputação e bom histórico", finaliza.

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