Investigação

Delegada diz que cerca de 40 cães morreram supostamente intoxicados por petiscos

Número de mortes em BH passou para oito; caso segue sendo investigado pela Polícia Civil

Por Vitor Fórneas
Publicado em 05 de setembro de 2022 | 19:35
 
 
 

Cerca de 40 cães morreram com suspeita de intoxicação após ingerir um petisco. A informação é da delegada Danúbia Quadros, lotada na Delegacia Especializada em Defesa do Consumidor. Em Belo Horizonte, o número de óbitos chegou a oito nesta segunda-feira (5).

“Hoje foi registrada mais uma ocorrência de óbito, além de outras internações. Em Belo Horizonte já são oito casos de mortes e tem chegado ao meu conhecimento várias outras mortes Brasil afora, cerca de 40 até o momento”, disse a delegada responsável por conduzir as investigações.

Os tutores são orientados a procurarem a delegacia mais próxima ao verem quaisquer sintomas nos pets. “É importante o tutor procurar a delegacia mais próxima e levar o produto para investigar se estes óbitos e intercorrências se deram em razão do petisco”.

Os principais sintomas apresentados pelos cães após a ingestão do alimento supostamente intoxicado são: convulsão, diarreia, vômito e prostração. “Apresentando esses sintomas, procure a delegacia para providência criminal”, orientou a delegada.

Monoetilenoglicol é encontrado

Na última sexta-feira (2), o setor de perícia da Polícia Civil de Minas Gerais anunciou ter identificado a presença de monoetilenoglicol em 1 dos 3 produtos da Bassar que podem estar relacionados com as intoxicações. Dois dos produtos são o Every Day e o Dental Care. O terceiro não teve o nome divulgado. A corporação não disse em qual produto houve confirmação da presença de monoetilenoglicol.

A Bassar afirma em nota que não teve acesso ao laudo e que colabora com as investigações. "A empresa enviou amostras de seus produtos e matérias-primas para institutos de referência nacional para atestar a segurança e conformidade dos produtos sob investigação", diz o texto.

O monoetilenoglicol é da mesma família do dietilenoglicol, substância apontada como a causa da morte de dez consumidores da cerveja Backer em Minas Gerais em 2019 e 2020. Ambas provocam danos severos aos rins.

Na semana passada, laudo emitido pela Escola de Veterinária da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) já havia sugerido a presença de etilenoglicol no organismo de um dos cachorros mortos. Segundo o departamento de perícia da Polícia Civil, etilenoglicol e monoetilenoglicol são o mesmo produto.

Também na sexta o Ministério da Agropecária e Abastecimento (Mapa) determinou o recolhimento de todos os produtos da empresa. A fábrica da Bassar em Guarulhos, na Grande São Paulo, foi interditada no mesmo dia.

Sobre a retirada dos produtos do mercado, a Bassar afirma que o procedimento está em andamento e que não há previsão de data para conclusão.

Com Agências

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