REUNIÃO ABERTA

PBH diz que moradias populares do Castelo não vão afetar trânsito ou área verde

Representantes da Urbel realizaram reunião aberta com moradores do bairro

Por Isabela Abalen
Publicado em 18 de abril de 2024 | 16:40
 
 
 
normal

Apesar das manifestações contrárias dos moradores do bairro Castelo à construção de moradias do programa "Minha Casa, Minha Vida", a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) continua consistente no sucesso do programa. Em uma reunião aberta com residentes da região, nessa quarta-feira (17 de abril), representantes da Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel) defenderam que as construções não vão ocupar áreas verdes protegidas nem causar grande impacto no trânsito. Mesmo assim, estudos para melhoria no transporte público e infraestrutura, como aumento de vagas nas escolas, estão sendo realizados. 

De acordo com o diretor-presidente da Urbel, Claudius Pereira, a reunião teve sucesso na apresentação das obras e esclarecimento de dúvidas, mesmo que a opinião dos moradores não tenha mudado. Eles organizaram um abaixo-assinado com mais de 5 mil assinaturas, argumentando que a obra pode causar danos ao meio ambiente e piorar o trânsito da região. “Por certo, alguns não agradaram, não se sentiram satisfeitos com o apresentado. Mas é obrigação da prefeitura permitir que essa população esteja em um local bem localizado. São essas as pessoas que mais utilizam a infraestrutura pública da cidade. Não podemos levá-las para a periferia. Eu perguntei: se não no Castelo, onde?”, diz Pereira. 

O diretor-presidente afirma que, no encontro, os moradores apresentaram escrituras do terreno onde as moradias populares serão instaladas com o intuito de dizer que os locais são Área de Proteção Permanente (APP). A informação, no entanto, foi desmentida pela prefeitura. “Todos os empreendimentos ocorrem em áreas definidas no plano diretor, são Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS 1) e exatamente destinadas para moradias de baixa renda. Houve uma confusão, mas esses locais não são nem nunca foram de proteção”, explica. 

Já sobre a preocupação com a piora no trânsito do bairro, Claudius Pereira respondeu aos residentes do Castelo que o impacto será “muito menor que o esperado”. Os moradores pontuam os congestionamentos diários que atingem avenidas como Presidente Tancredo Neves, Pedro II e Presidente Carlos Luz, mais conhecida como Catalão. 

“Foi ponderado isso com a população. Essas famílias das moradias populares não são um público que usa carro com frequência. Só para saber, os empreendimentos só tem 1% de vagas correspondendo aos apartamentos, ou seja, para 100 apartamentos, são só 30 vagas. Impacta, sim, mas em uma medida menor que o esperado”, afirma. 

Segundo o representante, a BHTrans está realizando um estudo sobre o trânsito na região para propor soluções adequadas que possam diminuir o congestionamento. No momento, no entanto, não há nada concreto nesse sentido. No plano de expansão da BHTrans, está prevista a instalação de uma estação de ônibus BHBus próxima às moradias populares. “Isso, tanto por demanda do Castelo, quanto por necessidade do entorno. Está nos planos”, informou o diretor-presidente do Urbel. 

Na reunião, também foram ouvidas outras demandas dos moradores do bairro com relação à infraestrutura do local. Uma que se destacou foi sobre a possível falta de vagas em escolas municipais da região, devido ao aumento de residentes no Castelo. Sobre isso, a prefeitura prometeu avaliar o número de vagas ideal.   

Entenda: moradias populares no Castelo

A construção de novas moradias populares na capital está prevista em uma parceria firmada, entre a Prefeitura de BH e o governo Federal, para a criação de 3.060 unidades habitacionais na cidade.

O projeto aprovado pelo Ministério das Cidades, em novembro do último ano, prevê investimento de cerca de R$520 milhões - cada unidade orçada em R$ 170 mil - para a construção dos imóveis em terrenos de propriedade do município, que serão transferidos ao Fundo de Arrendamento Residencial.

No bairro Castelo, a previsão é da criação de 500 unidades do “Minha Casa, Minha Vida” em três terrenos do Executivo municipal, localizados nas ruas Castelo da Beira (100), Castelo Setúbal (200) e Conceição Aparecida Augusten (200). 

Notícias exclusivas e ilimitadas

O TEMPO reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Fique bem informado!