Belo Horizonte

Shopping Oiapoque é fechado por descumprir regras de decreto de Kalil

Lojistas descumpriam o decreto do prefeito Alexandre Kalil e comercializavam produtos eletrônicos e roupas

Por Aline Diniz
Publicado em 18 de março de 2021 | 16:15
 
 
 

O shopping popular Oiapoque, localizado no centro da capital mineira, foi fechado, na tarde desta quinta-feira (18), após fiscalização da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH). O estabelecimento estava descumprindo o decreto do prefeito Alexandre Kalil (PSD), que proíbe a comercialização de produtos não essenciais em Belo Horizonte. A medida entrou em vigor no sábado (6) e é uma tentativa de conter o avanço do novo coronavírus na capital mineira. 

Como o shopping estava funcionando?

O fiscal de controle urbanístico e ambiental da Secretaria Municipal de Políticas Urbanas, Wilber Henrique Rosa, informou à reportagem que o shopping não estava cumprindo o modelo de venda drive-thru. Na prática, conforme Rosa, dentro do centro comercial, as pessoas poderiam ter acesso à agência bancária, óticas, e lotéricas – itens considerados essenciais. 
 
Rosa explicou que estavam sendo comercializados itens como roupas e eletroeletrônicos. "A pessoa chegava do drive-thru, informava o que gostaria de comprar e subia uma escada. De lá, a loja era acionada e um representante buscava o cliente", detalhou. Dessa maneira, as pessoas estavam tendo acesso à parte interna do centro. Aglomerações também foram denunciadas. 
 
A administração do centro de compras reconheceu que motoristas estavam descendo dos veículos, mas negou o acesso dos clientes às lojas (leia abaixo).
 
O que diz a Guarda Municipal?
 
O supervisor Costa Cunha, da Guarda Municipal, participou da operação no shopping popular. Ele informou que o local está "fechado em conformidade com o decreto municipal 17.566". "As pessoas estavam entrando dentro das lojas, e isso não é permitido. A partir de agora, não pode mais haver atividade no local, apenas administrativa", explicou. Cunha informou ainda que circularam vídeos mostrando os descumprimentos e, após as denúncias, foi preparada uma ação em conjunto com a PBH.

O guarda municipal aproveitou para informar que o órgão está fiscalizando várias regiões de Belo Horizonte e multando, inclusive, pessoas que insistem em não usar a máscara de proteção. 

Outro lado

O dono e administrador do shopping, Mário Valadares, reconheceu que motoristas desceram dos carros durante as compras drive-thru, mas negou que os clientes tiveram acesso às lojas. Ele informou que o centro de compras vai pedir a desinterdição e aumentar a fiscalização. 

"Ele (o shopping) foi interditado por um motivo muito simples. Nós procuramos seguir todas as normas do decreto estipulado pela prefeitura e o drive-thru é autorizado e nós estávamos fazendo o drive-thru. O que a fiscalização da prefeitura verificou é que algumas pessoas não tinham paciência de ficar esperando dentro do carro e estavam saindo do carro. Investimos muito no nosso site para fazer a venda online para que o lojista tenha alguma receita e o drive-thru não estava funcionando adequadamente. Foi uma falha nossa, foi um erro realmente. Alguns motoristas realmente saíram do carro, mas eu posso garantir que não houve acesso às lojas. Eles saíram do carro e foram até uma grade que nós colocamos onde era controlado o acesso às lojas. Acesso às lojas somente os clientes das óticas, conforme o decreto. Nós vamos entrar com um pedido de desinterdição e vamos nos propor a corrigir essa falha", garantiu.
 
O empresário disse ainda que o shopping não tem nenhum interesse na "disseminação do vírus". Ainda de acordo com ele, as pessoas que aparecem nos vídeos são os funcionários das 150 lojas que estão abertas. Se, nas filmagens, apareceram nos vídeos seriam clientes das óticas. 
 
Sem leitos
 
Conforme O TEMPO mostrou nessa quarta-feira (18), os hospitais particulares de Belo Horizonte, ultrapassaram 100% de taxa de ocupação em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) destinados a pacientes com Covid-19.

​Com isso, a rede suplementar entrou em colapso, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde. Segundo a prefeitura, dos 353 leitos, 102,8% estavam sendo utilizados nessa quarta momento. É o maior nível desde o início da pandemia de coronavírus.
 
Boom de casos
 
Em 24 horas, Minas Gerais teve a confirmação de 274 óbitos em decorrência do novo coronavírus. No total, 21.303 mineiros já morreram e mais de um milhão foram infectados pela enfermidade. Na capital mineira já são 2.952 óbitos e 122.709 doentes. 
 
Relembre o que pode funcionar em BH:
 
- Padaria 
- Comércio varejista de laticínios e frios 
- Açougue e Peixaria
- Hortifrutigranjeiros 
- Minimercados, mercearias e armazéns
- Supermercados e hipermercados 
- Artigos farmacêuticos (sem restrição de horário)
- Artigos farmacêuticos, com manipulação de fórmula (sem restrição de horário)
- Comércio varejista de artigos de óptica 
- Artigos médicos e ortopédicos 
- Combustíveis para veículos automotores 
- Lojas de coveniência de postos de combustíveis 
- Peças e acessórios para veículos automotores 
- Comércio varejista de gás liquefeito de petróleo - GLP 
- Agências bancárias: instituições de crédito, seguro, capitalização, comércio e administração de - Valores imobiliários 
- Casas lotéricas
- Agência de correio e telégrafo
- Comércio de medicamentos para animais 
- Igrejas e templos religiosos podem abrir, mas sem cultos e missas
- Atividades de serviços e serviços de uso coletivo, exceto os especificados no art. 2º do Decreto nº 17.328, de 8 de abril de 2020 
- Atividades industriais 
- Restaurantes e outros serviços de alimentação, em sistema de delivery
- Banca de jornais e revistas 
- Restaurantes, lanchonetes, bares e estabelecimentos congêneres no interior de hotéis, pousadas e similares, para atendimento exclusivo aos hóspedes 
- Atividades acima, em funcionamento no interior de shopping centers, galerias de loja e centros de comércio 

 

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