OTIMIZAÇÃO DE ATIVOS

Entenda por que a Gerdau suspendeu as atividades em Barão de Cocais

Siderúrgica explica que, embora tenha desativado essa operação, os investimentos em Minas Gerais estão mantidos

Por Cinthya Oliveira
Publicado em 29 de maio de 2024 | 17:13
 
 
 

Na mesma semana em que anunciou a paralisação de uma usina em Barão de Cocais, na região Central de Minas, a Gerdau reforçou o plano de investimentos e otimização de suas operações no Brasil. Em comunicado enviado à imprensa, a siderúrgica afirmou que está investindo cerca de R$ 7,5 bilhões no Brasil, para otimização e modernização das plantas no país e para uma nova plataforma de mineração sustentável. 

A suspensão do trabalho na cidade da região central de Minas faz parte de um plano da siderúrgica de otimização dos ativos, “maximizando plantas mais competitivas e revisando unidades menos competitivas”.

Respondendo por menos de 3% das operações da Gerdau no Brasil e considerada antiga, a planta de Barão de Cocais foi desativada por ter um alto custo de produção, de acordo com a empresa. Os cerca de 450 colaboradores estão sendo realocados para outras unidades ou demitidos. 

Em compensação, a siderúrgica tem outros investimentos em solo mineiro. O estado vai receber 66% dos valores previstos de investimento. Até o final de 2025, a Gerdau deve terminar a ampliação da capacidade da usina de Ouro Branco - onde estão sendo investidos R$ 1,5 bilhão - e entregar o projeto de mineração responsável em Ouro Preto, que está recebendo um aporte de aproximadamente R$ 3 bilhões. Há ainda a destinação de R$ 50 milhões para a modernização da planta em Divinópolis.

Investimentos confirmados após ação do governo

De acordo com a empresa, a mudança na taxação do aço importado pelo governo federal foi um fator preponderante para que a Gerdau desse continuidade aos planos de investimento no Brasil. Em abril, foi anunciado que as indústrias brasileiras teriam uma cota de importação para o aço e que o volume excedente seria taxado em 25% - as tarifas normais são de 9% a 12,6%.

No Ceará, a usina da Maracanaú foi paralisada nesta semana. Mas a Gerdau afirma que não se trata de uma suspensão das atividades na cidade da região metropolitana de Fortaleza, mas uma hibernação da operação, enquanto são feitas as obras de melhorias na planta. Estão endo investidos R$ 400 milhões e a previsão é de retomada de trabalho na usina no início de 2026. Cerca de 400 empregos devem ser gerados por conta da obra, de acordo com a empresa.

No Rio Grande do Sul

A Gerdau nasceu em 1901 como uma fábrica de pregos, mas entrou no universo siderúrgico em 1946, quando adquiriu a Siderúrgica Riograndense, localizada em Sapucaia do Sul, região metropolitana de Porto Alegre.

Esta que é uma das principais operações da Gerdau no Brasil está em uma região bastante afetada pelas enchentes iniciadas no fim de abril e ainda presentes em boa parte da capital gaúcha e cidades vizinhas. A unidade não chegou a ser atingida pelas águas, mas a produção de aço teve de ser temporariamente paralisada porque os funcionários não estavam conseguindo se deslocar em meio a ruas, avenidas e rodovias interditadas. 

A operação já foi retomada no Rio Grande do Sul, de acordo com a Gerdau, mas a empresa não informou com qual capacidade. 

Em seu site, a siderúrgica afirmou que está dando suporte a seus colaboradores e assumiu  “o compromisso de reformar as residências danificadas pelas chuvas, por meio do programa Reforma Que Transforma”.

“Oportunizamos vale alimentação, cestas básicas e suporte financeiro de diferentes formas aos colaboradores e famílias afetadas. Estamos facilitando a compra de novos eletrodomésticos com desconto para nossos colaboradores. Preparamos nossas lideranças para acolherem os colegas durante o período de afastamento e no retorno ao trabalho”, disse a empresa.

 

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