Nem tudo que é atribuído a Luis Fernando Verissimo na internet foi ele quem escreveu. Esse foi um alerta dado pelo próprio escritor, que morreu neste sábado (30) aos 88 anos.
Em entrevista à Revista Playboy em 2011, Verissimo disse que, além das frases atribuídas a ele, também havia contas nas redes sociais com o nome dele - mas nenhuma era gerenciada de fato por ele. "De cada cinco textos atribuídos a mim na internet, ao menos quatro não fui eu que escrevi", disse Luis Fernando Verissimo à Revista Playboy em 2011.
Verissimo morreu após complicações de uma pneumonia. Segundo a assessoria do Hospital Moinhos de Vento, onde o escritor estava internado, Verissimo morreu às 0h40 deste sábado. O velório será realizado neste sábado (30), às 12h, na Assembleia Legislativa, em Porto Alegre.
Luis Fernando Verissimo lançou seu primeiro livro em 1973. "O popular: crônicas, ou coisa parecida" é uma coletânea de textos que ele havia publicado em jornais, acompanhados de desenhos feitos pelo próprio autor. Luis Fernando guardou uma cópia da primeira edição com uma dedicatória a si mesmo: "Para o autor dos meus dias e outras grandes obras? Um abraço, Luis Fernando. Porto Alegre, 11/12/73". O exemplar hoje faz parte do acervo da Universidade do Vale do Rio dos Sinos, na capital gaúcha.
Publicou mais de 60 livros ao longo da vida. Alguns dos títulos mais famosos são "A Mesa Voadora" (1982), "O jardim do diabo" (1988, seu primeiro romance), "As Mentiras que os Homens Contam" (2000) e "Comédias para Se Ler na Escola" (2001).
Nos últimos anos, enfrentou problemas de saúde. Em 2020, teve um câncer ósseo na mandíbula, que tratou com uma cirurgia bem-sucedida. No ano seguinte, no entanto, sofreu um AVC que o fez parar de escrever. As sequelas, combinadas com o avanço da doença de Parkinson, aceleraram a deterioração de sua saúde.