O consumo de conteúdos eróticos na internet, facilitado pelo avanço da tecnologia, pode ser de fácil acesso, mas isso não significa que ele seja inofensivo. Enquete feita no perfil do Instagram de O TEMPO mostra que a maioria dos internautas reconhece os impactos que a pornografia pode ter na saúde sexual e no bem-estar.
Na publicação, que questionava se “a pornografia é tão inofensiva quanto parece”, 74% dos usuários votaram “não”, enquanto 26% optaram pelo “sim”. A reflexão foi levantada por Tami Bhavani, sexóloga somática e terapeuta tântrica, em coluna em O TEMPO publicada na sexta-feira (27/09).
Segundo ela, assistir a filmes eróticos pode parecer uma atividade inocente, mas os impactos negativos dessa prática podem afetar nossa mente, comportamento e desempenho sexual.
“Estudos mostram que o uso excessivo de pornografia pode levar a problemas de saúde mental como depressão e ansiedade, além de criar uma visão distorcida do sexo e das relações humanas”, detalha a colunista.
O mês de setembro ainda mobiliza milhares de internautas no movimento “No Fap”, que estimula homens a deixarem de consumir material pornográfico, a não se masturbarem e, em uma modalidade mais extrema, a abdicarem de ter orgasmos.
No entanto, esse extremismo pode não ser ideal: segundo Tami Bhavani, a masturbação, quando dissociada da pornografia, pode ser extremamente benéfica, ajudando homens e mulheres a se conectarem mais profundamente com seus corpos, sem a necessidade de um parceiro.
“Promovida na Educação Sexual Somática e estimulada em um ambiente terapêutico por profissionais de Sexological Bodywork, a masturbação pode ser um caminho poderoso para o autoconhecimento, o amor próprio e até mesmo a cura de traumas sexuais”, defende a sexóloga.
A prática também pode ser benéfica dentro de um relacionamento: pesquisadores da Universidade de Southampton, no Reino Unido, já afirmaram que o segredo para ter uma vida sexual melhor é a masturbação mútua.
Os cientistas entrevistaram 117 mulheres e 151 homens, com idades entre 18 e 65 anos, e que tinham parceiros sexuais. Mais de 50% (136) disseram ter praticado masturbação mútua nas duas semanas anteriores.
Segundo o levantamento, os participantes que adotavam a prática se sentiam mais satisfeitos sob os lençóis do que aqueles que não tinham o costume e, neste grupo, as mulheres relataram estar menos satisfeitas na cama do que os homens.