Vittorio Medioli

O futuro da evolução da humanidade

Publicado em: Dom, 16/08/20 - 03h00
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Caros leitores e leitoras, 

Atendendo a recomendação de meus bons advogados, preocupados com as restrições, pouco claras, da lei eleitoral, deixarei de ocupar esta coluna até 15 de novembro 2020. O espaço será, nesse período, aproveitado para publicar textos de outros autores, sempre que possível com conteúdo filosófico e de sabedoria milenar. Vittorio Medioli. 

O futuro da evolução da humanidade 

(Trecho de palestra proferida em Nuremberg, em 25 de junho 1908, por Rudolf Steiner, durante um ciclo de conferências sobre o Apocalipse de são João.) 

Não considerem uma crueldade do plano de Criação, como algo discutível quanto ao plano da Criação, o fato de a humanidade ser dividida entre os que estarão à direita e os que ficarão à esquerda (de Deus Pai); considerem isso algo extremamente sábio no plano da Criação. 

Ora, pondere que justamente pelo fato de o mal assim se separar do bem é que o bem alcançará sua força total, pois, após a grande guerra de todos contra todos, o bem deverá despender todo o esforço possível para, enquanto ainda for viável, atrair os maus para junto de si. 

Não será uma tarefa educativa como as tarefas educativas de hoje, mas aí cooperarão forças ocultas, pois nesse próximo grande período os homens terão o poder de movimentar forças, agora latentes, que serão desenvolvidas. 

Os bons terão a tarefa de agir sobre seus confrades da corrente má. E tudo isso está sendo preparado nas correntes cósmicas ainda imperceptíveis (mas perceptíveis para homens que tenham desenvolvido um potencial que no futuro será comum). 

No entanto, a corrente menos compreendida é a mais profunda de todas as correntes cósmicas ainda incompreensíveis à percepção comum. A corrente cósmica que prepara isto (a evolução futura) diz a seus discípulos o seguinte: “Os homens falam do bem e do mal e não sabem que, para o plano cósmico, é necessário que também o mal chegue a seu ponto culminante, para que aqueles que devem superar o mal usem, justamente para superar o mal, a sua força plena, de modo a fazerem surgir um bem ainda maior”. 

No entanto, devem se preparar os escolhidos entre os homens para que sobrevivem à época da grande guerra de todos contra todos, na qual eles serão confrontados com homens que terão os sinais do mal em seus semblantes. Eles devem ser preparados para que à humanidade possa fluir tanta força boa quanto possível. 

Ainda será possível que, após a grande guerra de todos contra todos, os corpos, até certo ponto ainda maleáveis, sejam ajudados a transformar-se pelas almas convertidas, pelas almas que, ainda nesta última época, serão conduzidas ao bem. Com isso, muito será alcançado. 

O bem não seria um bem tão grande se não crescesse na superação do mal (extremo). O amor não seria tão intenso se não tivesse que se tornar grande o suficiente para vencer até mesmo a feiura no semblante dos homens maus. Isso é preparado antecipadamente, sendo dito aos discípulos (escolhidos): “Portanto, não deveis crer que o mal não tenha sua justificação no plano da Criação. Ele está contido nela para que, por seu intermédio, um dia venha a existir o grande bem”. 

Os escolhidos que em sua alma estão preparados para tais ensinamentos, a fim de um dia poderem cumprir essa grande tarefa educativa e transformadora, são os discípulos da orientação espiritual denominada “maniqueísmo”. 

O maniqueísmo é frequentemente mal compreendido e citado de forma vazia de seu verdadeiro significado. Aí se diz impropriamente que os maniqueus acreditavam haver desde o início do mundo dois princípios, o do bem e o do mal. Não se trata disso, e sim da doutrina que acima foi exposta.
Manes é aquela elevada individualidade que continuamente se encarna na Terra, é o espírito-guia dos que vivem para a conversão do mal. Ao falarmos dos grandes guias da humanidade, devemos também pensar nessa individualidade (Manes), que conquistará cada vez mais discípulos à medida que a humanidade se voltar para a compreensão da vida espiritual. 

(A Editora Antroposófica publica toda a obra de Rudolf Steiner, composta por centenas de livros.) 

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