CRIATIVIDADE

Como são escolhidos os nomes dos esmaltes? Veja o que as marcas dizem

Marcas explicam processo de criação dos títulos do produto de beleza para as unhas

Por Laura Maria
Publicado em 20 de maio de 2024 | 08:04 - Atualizado em 20 de maio de 2024 | 10:13
 
 
 

Vermelho, azul ou marrom? Que nada! No momento de escolher nomes de esmalte, as marcas do artigo de beleza para as unhas optam por associações que saiam do óbvio. Para isso, fazem reuniões nas quais discutem com minúcia as alcunhas dos cosméticos das próximas coleções. Desses encontros, chamados de brainstormings, surgem títulos como “Xô, boy embuste!” (Colorama), “Me chama no Zoom – Né, minha filha” (Dailus), “Panqueca doce” (Vult), “Aventura na selva” (Impala) e “André fez a janta” (Risqué).

A ideia é trazer personalidade ao vidrinho colorido para que ele não passe despercebido no meio de tantas opções. No momento da escolha do nome de uma nova cor, as marcas priorizam o lúdico, a conexão com o público-alvo e as tendências do momento. Gerente de Marketing de Desenvolvimento Colorama, do grupo L'Oréal, Ana Nascimento diz que escolher os nomes dos esmaltes é a “parte mais divertida e criativa do processo de criação de uma coleção de esmaltes”.

Segundo ela, o primeiro passo é fazer uma associação livre, momento em que escrevem todas as palavras que vêm à mente quando se pensa no conceito da coleção. “Depois, começamos a combinar essas palavras de formas inusitadas e surpreendentes. Às vezes, fazemos um brainstorming com diferentes grupos de pessoas, usando as palavras-chaves que representem o tema principal da coleção. Buscamos, também, trazer acessibilidade aos esmaltes para pessoas com deficiência visual. Então, sempre que possível, estamos incluindo a descrição da cor do esmalte junto com o nome”, aponta Ana.

“Gabriela”, “Rebu” e “Renda”, todas da Risqué, são exemplos de nomes presentes no imaginário (e nas escolhas) de quem vai ao salão colocar cor às unhas. “Os esmaltes ‘Rebu’ e ‘Gabriela’ foram criados em homenagem a novelas brasileiras de sucesso. Nosso amado ‘Rebu’ é uma homenagem à famosa novela de mesmo nome, exibida em 1974, enquanto o clássico ‘Gabriela’ foi inspirado na inesquecível ‘Gabriela, Cravo e Canela’, exibida em 1975. O ‘Renda’ também foi inspirado na novela ‘Tieta’, que foi um sucesso na TV brasileira no final da década de 1980”, afirma vice-presidente de marketing consumo da Coty Brasil & Latam, responsável pela Risqué, Regiane Bueno.

No salão Beleza Sem Limite, localizado em Contagem, a manicure Cristiane Luiza Pereira Mariani conta que o vermelho é o campeão de escolhas. “Para quem gosta de um vermelho mais vivo tem o ‘Gabriela.’ No pé, a preferência é o branquinho, como o ‘Renda’, da Risqué, ou o ‘Top Pop’, da Colorama”, comenta. Nem sempre, porém, as ideias saem como o esperado. Quando lançou a coleção “Homens que amamos”, em 2015, a Risqué foi acusada por internautas de encampar uma campanha machista, uma vez exaltou gestos masculinos que deveriam ser considerados corriqueiros, como preparar o jantar, enviar mensagem ou mandar flores.

A marca não comentou a campanha, mas destacou que leva em “consideração sempre as últimas tendências, referências do universo de beleza, cultura pop, retratando o espírito do tempo.” “Buscamos sempre temas que combinem com a marca e sejam importantes para quem consome nossos produtos. Muitos desses nomes se tornam parte da história de Risqué e permanecem na memória dos nossos consumidores”, diz Regiane.

Processo semelhante acontece na empresa Impala, segundo o coordenador de marketing da marca, Renan Borges. “O processo por trás da escolha do nome de um esmalte envolve criatividade e estratégia. Nossa equipe se reúne para uma sessão de brainstorming, onde cada ideia é cuidadosamente analisada e debatida, levando em consideração não apenas a cor do esmalte, mas também sua energia, seu contexto cultural, a campanha do qual ele faz parte e até mesmo sua inspiração artística, buscando um nome que conte uma história por si só”, comenta.

A diretora de categorias de make do Grupo Boticário, a qual a marca Vult faz parte, Mirele Agustinho Martinez comenta que o processo de seleção de nomes para esmaltes é etapa fundamental do lançamento de um novo produto. “Envolve a criação de uma identidade única que esteja em sintonia com o tema da coleção, que pode variar desde as tendências atuais até abordagens mais lúdicas. O trabalho começa com uma sessão de brainstorming, onde diversas opções de nomes são propostas e debatidas. As sugestões são analisadas pela liderança e o nome final é submetido à equipe jurídica para aprovação antes de ser oficialmente adotado.