A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, manifestou indignação sobre a publicação não autorizada de suas fotografias em um portal pornográfico. A declaração ocorreu nesta sexta-feira (29/8) durante entrevista ao jornal Corriere della Serra.
"Estou enjoada com o que aconteceu. Quero expressar minha solidariedade e apoio a todas as mulheres que foram ofendidas, insultadas e violadas. É desanimador observar que, em 2025, ainda existam aqueles que consideram normal e legítimo pisotear a dignidade de uma mulher e a atacar com insultos sexistas e vulgares, escondendo-se atrás do anonimato ou de um teclado", afirmou Meloni.
O caso afetou também outras figuras públicas italianas, incluindo Arianna, irmã da primeira-ministra, e Elly Schlein, líder da oposição no país. As imagens foram divulgadas na plataforma Phica, nome que faz trocadilho com a palavra italiana para vagina.
Após o escândalo, o site encerrou suas operações. A administração da plataforma culpou seus aproximadamente 700 mil assinantes pelo uso "incorreto" do serviço, evitando assumir responsabilidade pela moderação inadequada do conteúdo.
As fotografias publicadas no portal eram originalmente provenientes de redes sociais e fontes públicas. Os usuários manipulavam as imagens, acrescentando legendas de cunho sexista e explícito. Eles também editavam as fotos para ampliar partes específicas do corpo feminino e colocar as mulheres em posições sexuais.
A situação não representa um caso isolado na Itália. Na semana passada, o Meta encerrou uma conta italiana no Facebook chamada "Mia Moglie" ("Minha esposa"), onde homens compartilhavam imagens íntimas de suas esposas ou de mulheres desconhecidas sem consentimento.
A polícia italiana iniciou investigação contra o Phica após receber denúncias formais do governo e de diversos partidos políticos. Um dos focos da apuração é a "seção VIP" do site, onde eram disponibilizadas imagens adulteradas de mulheres famosas.
"Conteúdo considerado inofensivo pode, nas mãos erradas, se tornar uma arma terrível. E todos nós precisamos estar cientes disso", alertou a premiê italiana.