Ultraliberal

'Lei ônibus', 'motosserra', 'casta': conheça o vocabulário da era Milei

Em menos de um mês na Presidência da Argentina, Milei já parece ter todo um vocabulário associado ao seu governo

Por Agências
Publicado em 30 de dezembro de 2023 | 08:44
 
 
 

"Lei ônibus", "nhoques", "leliqs". Em menos de um mês na Presidência da Argentina, Javier Milei já parece ter todo um vocabulário associado ao seu governo.

O feito talvez não surpreenda aqueles que acompanharam o ultraliberal ao longo de sua campanha, em que expressões como "plano motosserra" se tornaram tão populares que seus apoiadores passaram a levar motosserras de verdade para seus comícios.

Termos como aquele seguem na boca do líder --mas, desde que ele assumiu o mandato, eles vêm sendo acompanhados de nomes mais técnicos. É o caso de "DNU", acrônimo de "Decreto de Necessidade e Urgência". Ele designa um documento que, assinado por Milei no último dia 20, estabelece mais de 300 medidas para desregular economia.

Se algumas palavras são repetidas à exaustão, outras também são proibidas. O mesmo DNU exclui, por exemplo, a palavra "gratuito" da publicidade de benefícios ou serviços nas esferas nacional, provincial e municipal. A orientação, nesses casos, é esclarecer que os benefícios ou serviços oferecidos são de livre acesso, mas "financiados por impostos dos contribuintes".

Conheça, abaixo, algumas expressões que marcaram o governo de Milei até agora:

  • Carajo

A frase "viva la libertad, carajo!" virou uma espécie de bordão pessoal do presidente e de sua campanha à Casa Rosada. Foi escolhida para encerrar o primeiro discurso de Milei no cargo --e foi escrita, inclusive, no livro do Congresso da Argentina. Nesse contexto, a palavra "carajo" se assemelha menos a um palavrão e mais ao "caramba" do português.

  • Casta

Usada pelo presidente argentino em diferentes ocasiões, a palavra serve como reforço ao discurso antissistema de Milei e define não apenas adversários, mas a classe política que compõe o establishment.

No fim das eleições primárias, conhecidas como Paso, o mandatário disse: "Vamos acabar com o kirchnerismo e com a casta política parasitária, estúpida e inútil que afunda este país".

  • DNU

A sigla significa "Decreto de Necessidade e Urgência", que é um instrumento usado em circunstâncias extraordinárias para viabilizar leis.

A DNU chegou aos holofotes no dia 20 de dezembro, quando Milei assinou, em rede nacional, o documento que modifica ou revoga mais de 300 leis que regulam uma ampla variedade de atividades econômicas no país. O polêmico "megadecreto" inclui pontos como a alteração do regime trabalhista e também versa sobre privatizações, aluguel e exportações.

  • Lei 'ônibus'

Intitulado "Lei de Bases e Pontos de Partida para a Liberdade dos Argentinos", o projeto enviado pelo presidente ao Congresso da Argentina no dia 27 de dezembro tem o apelido por conter diretrizes que regulam uma ampla diversidade de áreas, propondo uma abrangente reforma do Estado.
Composto por 664 artigos, inclui restrições a protestos e bloqueios de vias, a revogação das eleições primárias (em que argentinos são convocados a escolher os políticos que concorrerão nas eleições de fato) e a autorização para o Executivo privatizar as empresas estatais.

  • Leliqs

As Letras de Liquidez são títulos vendidos pelo Banco Central da Argentina a bancos cujo rendimento é pago com pesos que ele próprio emitiu, gerando mais dívida para o governo.
Parte da promessa de campanha de Milei consistia em comprar esses títulos de volta e parar de imprimir dinheiro -para, então, liberar o comércio de dólares no país.

  • Motosserra

Outro símbolo da campanha de Milei, ele representa, no vocabulário construído pelo presidente, os cortes nos gastos estatais. Por isso, o conjunto de medidas de seu governo que visa diminuir as contas públicas foi apelidado de "plano motosserra".

Em sua primeira semana de governo, por exemplo, o ultraliberal anunciou um corte de 18 para 9 ministérios e de 106 para 54 secretarias.

  • Nhoques

A palavra, que em espanhol é grafado "ñoqui", é como são conhecidos popularmente os servidores públicos que teoricamente não trabalham e só aparecem no escritório no final do mês para receber seus salários.

A expressão vem da tradição italiana de comer o prato no dia 29 de cada mês. Uma tradução dela no Brasil seria "funcionário fantasma".

(Folhapress)

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