700 peças

Leilão de joias de milionária ligada ao nazismo levanta R$ 767 milhões

Uma das joias de maior destaque da coleção de Heidi, falecida em 2022, é um anel Cartier com um rubi, que vale pelo menos US$ 10 milhões

Por Agências
Publicado em 10 de maio de 2023 | 17:32
 
 
 
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A primeira parte de um leilão de joias pertencentes à milionária austríaca Heidi Horten, já falecida, e que era viúva de um alemão que fez fortuna por seus vínculos com o nazismo, rendeu, nesta quarta-feira (10), mais de 155 milhões de dólares (aproximadamente 767 milhões de reais na cotação atual), informou a Christie's.

Consultado pela AFP, Rahul Kadakia, diretor internacional de joalheria da famosa casa de leilões, qualificou a venda como um "sucesso" e ressaltou que bateu o recorde estabelecido com o arremate de bens da estrela de Hollywood Elizabeth Taylor, em 2011, que superou os 100 milhões de dólares.

Também bateu o recorde de venda da coleção "Marajás e o esplendor mongol", em 2019, que também passou dos 100 milhões de dólares.

A casa Christie's iniciou nesta quarta, na Suíça, a polêmica venda das joias, apesar das críticas de organizações que lutam contra o antissemitismo e que pediam a suspensão do leilão.

A coleção é composta de mais de 700 joias, com valor total estimado em mais de 150 milhões de dólares (mais de 740 milhões de reais). 

Nesta quarta, 100 peças foram colocadas à venda em um leilão presencial, em Genebra, e outras 150 serão leiloadas na sexta-feira (12). O restante será disponibilizado para compradores on-line em novembro.

Antes do início do leilão, Rahul Kadakia havia reiterado as explicações sobre o motivo pelo qual a casa aceitou leiloar esta espetacular coleção de joias, após uma enxurrada de críticas de várias organizações.

A origem das joias é irrepreensível, e "todo o lucro da venda será doado para uma fundação (o conselho de curadores Horten), que apoia causas filantrópicas", insistiu. 

Kadakia afirmou, ainda, que "a Christie's fará uma doação significativa" dos lucros para instituições judaicas e para a educação sobre o Holocausto, que ele disse ser de "importância vital".

Esta semana, o Centro Simon Wiesenthal, ONG conhecida por rastrear criminosos de guerra nazistas foragidos, o Comitê Judaico-Americano (AJC) e o Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (Crif) pediram a suspensão da venda. 

Na terça, a organização francesa qualificou a venda como "indecente", pois o marido de Heidi, Helmut Horten, construiu sua fortuna na Alemanha durante o governo nazista, partido ao qual era filiado.

Uma das joias de maior destaque da coleção de Heidi, falecida em 2022, é um anel Cartier com um rubi "sangue de pombo" de 25,59 quilates. A peça estava avaliada entre 10 milhões e 20 milhões de dólares (aproximadamente de 50 milhões a 100 milhões de reais, no câmbio atual).


- "Duplamente indecente" -
Segundo o ranking anual das pessoas mais ricas do mundo elaborado pela revista Forbes, a fortuna de Heidi Horten totalizava 2,9 bilhões de dólares (cerca de 14 bilhões de reais). A origem do dinheiro de Horten, que já foi dona de uma das grandes redes de lojas de departamentos da Alemanha, atrai críticas.

Em 1936, três anos depois de Adolf Hitler chegar ao poder, Horten assumiu o comando da empresa têxtil Alsberg, após a fuga de seus proprietários judeus. Mais tarde, assumiu o controle de vários negócios pertencentes a judeus que fugiram do Reich nazista. Posteriormente, Horten foi acusado de lucrar com o saque de propriedades de pessoas de origem judaica. 

"Este leilão é duplamente indecente: não apenas os recursos utilizados para adquirir estas joias procedem, em parte, da 'arianização' de propriedades judaicas feita pela Alemanha nazista, mas a venda também está destinada a financiar uma fundação, cuja missão é garantir que o sobrenome de um nazista passe para a posteridade", denunciou o presidente do Crif, Yonathan Arfi. 

Em um comunicado divulgado esta semana, o Centro Simon Wiesenthal pediu que as pessoas "não recompensem aqueles cujas famílias enriqueceram graças a judeus desesperados perseguidos e ameaçados pelos nazistas".  

O Comitê Judaico-Americano afirmou que a venda deve ser suspensa "até que seja feito um esforço sério para determinar quanto dessa riqueza procede das vítimas dos nazistas".

(AFP)

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