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Netanyahu promete 'restaurar a segurança' em Israel após surto de violência

A região vive uma nova espiral de violência desencadeada desde a brutal incursão das forças israelenses em uma mesquita

Por Agências
Publicado em 10 de abril de 2023 | 18:15
 
 
 

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu, nesta segunda-feira (10), "restaurar a segurança" de seu país atuando em "todas as frentes", depois de um novo surto de violência que incluiu disparos de foguetes do Líbano e da Síria nos últimos dias e duas novas mortes nesta segunda.

Netanyahu também anunciou em coletiva de imprensa que mantém no cargo seu ministro da Defesa, Yoav Gallant, cuja saída havia sido anunciada em março por divergências políticas.

"Não permitiremos que o Hamas terrorista se instale no Líbano", e atuaremos "em todas as frentes", declarou Netanyahu, depois que o Exército acusou este movimento islamita palestino de estar por trás do lançamento, na quinta-feira, de dezenas de foguetes sobre o norte de Israel. 

A região vive uma nova espiral de violência desencadeada desde a brutal incursão das forças israelenses na mesquita de Al-Aqsa em Jerusalém, na quarta-feira, para desalojar os fiéis palestinos.

Mais de 30 foguetes foram disparados, no dia seguinte, do Líbano em direção a Israel, que retaliou com bombardeios no sul do Líbano e em Gaza, governada pelo Hamas. 

O novo surto de violência ocorreu durante o mês de jejum muçulmano do Ramadã que coincidiu com a Páscoa judaica e também a cristã.

Netanyahu já vinha enfrentando por estes dias uma grande tensão interna pela oposição à reforma judicial promovida por seu governo, que decidiu congelar com a esperança de conquistar mais apoio.

Entre as consequências desta crise política está a demissão no final de março do ministro Gallant, que havia pedido para interromper a reforma judicial, que segundo seus detratores afeta a independência da Justiça em relação ao Poder Legislativo.

Benjamin Netanyahu anunciou nesta segunda que, apesar de "disputas difíceis" com Yoav Gallant, decidiu mantê-lo no cargo. "Seguiremos trabalhando juntos para a segurança dos cidadãos de Israel", disse o primeiro-ministro.

Duas novas vítimas

A violência continuou nesta segunda-feira, com a morte de um adolescente palestino e de uma mulher israelense-britânica ferida na sexta-feira em um ataque na Cisjordânia.

O Exército israelense indicou ter realizado "uma operação" em Aqabat Jaber, um campo de refugiados perto de Jericó, para encontrar "um suspeito de terrorismo".

O Ministério da Saúde palestino anunciou pouco depois a morte de Mohamed Fayez Balhan, de 15 anos, por disparos israelenses que o atingiram na cabeça e no peito.

O movimento islamita palestino Hamas denunciou, por sua vez, uma "execução sumária por parte das forças de ocupação israelenses".

A operação militar foi realizada ao mesmo tempo que um hospital de Jerusalém confirmava a morte de Lucy (Leah) Dee, após ficar gravemente ferida em um ataque armado na sexta-feira, no qual morreram suas duas filhas, de 16 e 20 anos.

A família morava em Efrat, uma colônia judia ilegal situada na Cisjordânia, um território palestino ocupado por Israel desde 1967.

Manifestação

Enquanto isso, centenas de israelenses participaram, nesta segunda, de uma marcha próximo a Eviatar, um assentamento não reconhecido pelas autoridades israelenses, para exigir que ele seja legalizado, segundo um jornalista da AFP. 

Vários ministros e deputados do país participaram do protesto, entre eles o de Segurança Pública, Itamar Ben Gvir.

Esse último, apoiador da causa dos colonos na Cisjordânia, declarou em um vídeo divulgado pelo seu gabinete que Israel "não capitula diante do terrorismo", nem em Eviatar, nem em Tel Aviv. 

Rivka Katzir, uma habitante de 74 anos do assentamento de Elkana avaliou que "a única solução para todos esses problemas é se instalar aqui" em Eviatar. 

Desde o início do ano, o conflito israelense-palestino custou a vida de, ao menos, 94 palestinos, 19 israelenses, uma ucraniana e um italiano, segundo uma contagem da AFP baseada em fontes oficiais. 

Esses números incluem combatentes e civis, inclusive menores, no lado palestino, e civis, incluídos menores, e três membros da minoria árabe no lado israelense. 

(AFP)
                
 

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