Ronaldo Scucato é presidente do Sistema Ocemg
O agronegócio mineiro é potente. Mais do que uma atividade econômica, ele representa a essência da pujança de Minas Gerais. No terceiro trimestre de 2024, a economia mineira avançou 1,2% em relação ao semestre anterior, atingindo R$ 272,3 bilhões. O resultado supera o desempenho da economia nacional, que avançou 0,9% no mesmo período. E aqui vem o destaque: esse desempenho vigoroso tem como motor principal o agronegócio, que registrou um crescimento impressionante de 11,3% no período. Os dados são de um estudo da Fundação João Pinheiro (FJP), divulgado em dezembro de 2024 pelo governo de Minas Gerais. O que a pesquisa não mostrou é que boa parte desse êxito tem o DNA do cooperativismo agropecuário, que nos últimos cinco anos cresceu impressionantes 73,71%.
Hoje, Minas Gerais é o maior produtor de café e leite do Brasil. Se fosse uma nação, nosso Estado seria o maior fornecedor global de café, com uma safra anual de 29 milhões de sacas.
E o cooperativismo tem um papel crucial nesse resultado, já que 57,5% do café produzido no Estado passa por uma cooperativa. Isso significa que, de cada dez cafezinhos mineiros, seis vêm de cooperativas. No âmbito das exportações, o setor movimenta mais de R$ 5,4 bilhões anualmente, levando esses e outros produtos cooperativistas a mais de 55 países.
A cada 100 L de leite produzidos em nosso Estado, cerca de 19 L são processados por cooperativas. Entre 2019 e 2023, o faturamento desse segmento saltou de R$ 9,3 bilhões para R$ 16,8 bilhões, um avanço de 80%. Esses números, do café e do leite, disponíveis no Anuário do Cooperativismo Mineiro 2024, expressam não apenas a eficiência econômica, mas também a capacidade transformadora do cooperativismo no meio rural.
Outro diferencial das cooperativas agropecuárias mineiras é o compromisso com a sustentabilidade. Adotando práticas inovadoras e alinhadas aos padrões internacionais de economia verde, três cooperativas mineiras receberam, em 2024, o selo do Programa Brasileiro GHG Protocol. Esse reconhecimento, além de reforçar o comprometimento com a pauta ESG, tem ampliado a competitividade de nossas cooperativas no mercado internacional, onde práticas sustentáveis são cada vez mais valorizadas.
Justamente por isso, temos incentivado nossas cooperativas a adotar as melhores práticas ambientais e a buscar certificações que comprovem o compromisso do coop mineiro com o futuro do planeta e com o desenvolvimento das comunidades onde atuam.
Para 2025, as perspectivas são ainda mais promissoras. A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou este ano como o Ano Internacional das Cooperativas, um marco que traz visibilidade global e potencializa as oportunidades de crescimento desse modelo de negócios.
Teremos a oportunidade de consolidar nosso papel como agentes de transformação econômica e social, tanto no campo quanto na cidade. Nosso jeito diferente de fazer negócios, pautado pela sustentabilidade, ética e competitividade, estará cada vez mais em evidência, especialmente por estar em sintonia com as principais pautas debatidas globalmente sobre mudanças climáticas. Tema, aliás, que ganhará força no país, já que a Conferência das Partes deste ano, a COP30, será realizada no Brasil, no fim do ano. De fato, teremos muito mais oportunidades para confirmar o slogan da ONU para 2025: “As cooperativas constroem um mundo melhor”.