Funcionamos melhor quando não estamos estressados e ainda mais quando estamos descansados. Entendemos claramente o que é cansaço físico, mas será que o cansaço do nosso cérebro já está claro para nós?

Quando alguém está estudando demais, trabalhando, ou vivendo alguma sobrecarga emocional, como perdas, separações, conflitos pessoais ou profissionais, sem dúvidas entendemos que o cérebro está cansado.

As pessoas adeptas da meditação entendem que a prática faz muito bem para o cérebro, e, em princípio, meditar é um “não fazer”. Um parar que parece fortalecer. Entendo que seria um descanso do cérebro.

Esse descanso cria um equilíbrio entre o sistema nervoso simpático e parassimpático, e esse equilíbrio, por sua vez, cria um estado de homeostase, que é o processo por meio do qual o organismo mantém as condições internas adequadas para a vida. Para isso, é preciso existir uma harmonia entre as funções pulmonares, renais, do fígado, do pâncreas e das glândulas endócrinas e o sistema nervoso.

Mesmo quando ocorrem variações no meio externo, o corpo mantém mecanismos para evitar que haja variações na fisiologia quando ele está em equilíbrio.

Quando o corpo perde a homeostase, fica muito vulnerável às influências externas, o que pode levar a adoecimentos.

Não é saudável trabalhar o tempo todo. Mas o que é trabalho para o cérebro?

Se o tempo todo o cérebro está ocupado recebendo alguma informação, tendo uma opinião, indignando-se, entristecendo-se ou alegrando-se com algo, ficando decepcionado ou mesmo distraindo-se, ele nunca está sem nenhuma informação externa, apenas com suas questões internas. Então, o cérebro está trabalhando o tempo todo.

Essa é a atual condição da maioria da população, incluindo as crianças e os adolescentes que ficam conectados a todo instante ao celular.

Esse trabalho excessivo, sem pausas, sem descanso, sem um tempo em que não há nenhuma influência externa, já apresenta alguns impactos no comportamento. Porém, acredito que o que sabemos ainda é muito pouco diante de todas as alterações que perceberemos ao longo dos próximos anos.

Impactos como redução da criatividade, aumento da ansiedade e depressão já são claros, mas não é somente nesse aspecto que existem alterações.

Com essa condição de cérebro hiperestimulado, há também um hiperestímulo do sistema nervoso simpático, com consequências como a redução da imunidade.

Sabemos que a ausência de estímulo para o cérebro é deletéria – causaria uma exacerbação do sistema parassimpático. Mas isso não significa que não existe um limite para o estímulo. Além disso, é necessário pensar na qualidade do estímulo recebido.

Isso nos faz voltar para algo essencial: qual é o equilíbrio? O que é trabalho cerebral? Ficar conectado o tempo todo no TikTok, no Instagram e em outras redes sociais não configura trabalho? Precisamos de um tempo dedicado ao “nada”. Mas precisamos ter certeza de que esse “nada” é real, e não alienação.