SUCESSÃO EM BH

Demanda evangélica deve ser conciliada com políticas públicas

Pré-candidatos à PBH admitem diálogo com religiosos, mas lembram que a cidade ‘é de todos’

Por Clarisse Souza
Publicado em 10 de junho de 2024 | 06:09 - Atualizado em 10 de junho de 2024 | 12:20
 
 
 

O discurso adotado por pré-candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para se referirem à comunidade evangélica da capital sinaliza que a maioria dos dez atuais postulantes ao cargo já esboça alguma estratégia para conquistar o voto dessa fatia do eleitorado em outubro. Apesar disso, a maior parte deles também é cautelosa e ressalta que suas propostas vão contemplar políticas públicas para todos os cidadãos, independentemente de crenças.

A reportagem de O TEMPO procurou todos os atuais pré-candidatos à PBH e perguntou como a população evangélica será inserida na campanha eleitoral de cada um deles.

Líder na última rodada da pesquisa DATATEMPO, com 15,9% das intenções de voto, o senador Carlos Viana (Podemos), por exemplo, enfatizou o fato de ser evangélico, mas pontuou que “as políticas para educação e saúde interessam a todos”. A pesquisa foi registrada no TRE-MG, sob número 02336/2024.

Candidato à reeleição, o prefeito de BH, Fuad Noman (PSD), destacou que, ao iniciar a campanha, o objetivo será convencer o eleitorado de que ele tem “as melhores propostas para governar Belo Horizonte”. “E aí não importa qual a religião do eleitor”, afirmou.

Luísa Barreto (Novo) também disse reconhecer a importância dos evangélicos nas eleições, mas ponderou “ser necessária a construção de uma cidade plural”. Já Mauro Tramonte (Republicanos) evitou destacar uma preocupação específica com o eleitorado evangélico e afirmou que sua pré-campanha “considera todos os públicos”.

Veja abaixo o que disseram nove pré-candidatos à prefeitura da capital:

Bella Gonçalves (PSOL)

"A população evangélica representa a maioria nas periferias e atuo com essas pessoas há anos na busca de uma casa, de território e de dignidade. Sempre tive excelente diálogo que combina fé, política e luta por direitos. Recentemente, fiz um debate sobre a defesa dos princípios evangélicos nas eleições deste ano. Quero fazer muito esse diálogo nessas eleições."

Bruno Engler (PL)

“O público cristão, tanto católico quanto evangélico, vai ter um papel de protagonismo na nossa campanha. Até porque, naturalmente, é um público que se identifica com os valores que a gente defende, que são defesa da família, da vida desde sua concepção, contra a liberação de drogas, respeito à inocência das crianças, contra ideologia de gênero. Isso não é uma pauta meramente eleitoral. É algo que eu carrego ao longo de toda minha vida pública.”

Carlos Viana (Podemos)

“Eu sou o único pré-candidato evangélico da disputa à prefeitura de BH. Também tenho grande respeito e sou muito conhecido do público católico, temos uma relação muito boa porque sempre militei pelas questões cristãs. Nós, evangélicos e católicos, somos uma frente de princípios, somos contra o aborto, o jogo, as drogas. Será uma das bases mais importantes na minha trajetória à (prefeitura da) capital."

Duda Salabert (PDT)*

"Há anos frequento a igreja metodista. Separo, contudo , religião da minha atividade política: Para mim, fé está na esfera pessoal, íntima ; enquanto política está na esfera pública , coletiva. Nesse sentido , as propostas que tenho para o público evangélico são as mesmas que tenho para quem é de outras religiões ou que não possui religião : uma cidade bem cuidada, que tenha educação, saúde e transporte público de qualidade."

Fuad Noman (PSD)

“Meu objetivo é convencer o eleitorado de que tenho as melhores propostas para BH. E aí, não importa qual a religião do eleitor. Eu, por exemplo, sou católico, mas tenho profundo respeito por todas as religiões. Quando chegar a hora de buscar o voto, vou procurar católicos, evangélicos, espíritas, de matriz africana, de todos os credos. Afinal, se for eleito, serei prefeito de todos eles.”

Gabriel Azevedo (MDB)

“O IBGE apontou que 86,7% do Brasil é cristão. Sou um belo-horizontino de família católica. É um público em que a família, a honestidade e o trabalho contam muito. Essa população vai estar inserida na campanha através dos valores que serão defendidos. A fé cristã que respeita todos é uma aliada e tanto de uma prefeitura que pensa na cidade para toda a população."

João Leite (PSDB)

“As igrejas são muito conscientes e votarão naqueles que têm a pauta que elas defendem. Será difícil votarem, por exemplo, em quem defenda o aborto ou em quem diga que a propriedade não é privada. Mas eu resguardo muito meu chamado de evangelista, de levar as pessoas a conhecerem Jesus, e não troco isso por causa de votos e nem uso a igreja para este fim.”

Luisa Barreto (Novo)

“Reconhecemos a importância do eleitorado evangélico em BH, que tem crescido em número nos últimos anos. De toda forma, pensamos ser necessária a construção de uma cidade plural, que seja melhor para todos os cidadãos, em todas as regionais e que esses tenham a segurança de poder professar a sua fé, seja ela qual for.”

Mauro Tramonte (Republicanos)

“Passei 16 anos à frente de um programa de televisão que recebia denúncias de mau funcionamento dos serviços públicos em toda a cidade, em especial no ônibus, no trânsito e na saúde. Então, nossa pré-candidatura considera todos os públicos: o cidadão belo-horizontino. Vamos pensar a cidade para todos.”

Rogério Correia (PT)

"Tenho conversado muito com lideranças católicas, evangélicas e de religiões de matriz africana. Estão preocupados com saúde, educação, emprego e com as políticas sociais em geral. As preocupações sociais que essas lideranças trazem, o que resolve é o programa que nossa pré-candidatura defende, que tem ênfase nas políticas sociais e na participação popular."

Paulo Brant (PSB) 

Até então pré-candidato, Paulo Brant (PSB) também foi procurado, mas na sexta-feira foi anunciado que ele abriria mão da cabeça de chapa para ser vice na chapa de Gabriel Azevedo (MDB. 

*A resposta da pré-candidata Duda Salabert (PDT) foi acrescentada à reportagem às 12h16 de segunda-feira (10), imediatamente após a deputada federal encaminhar o posicionamento dela à equipe de O TEMPO. 

(Com Cynthia Castro)

 

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