Em sua segunda agenda em Minas, nesta sexta-feira (29/8), o presidente Lula (PT) fez um discurso nacionalista, focado no desenvolvimento brasileiro e com diversas menções ao comércio internacional e ao tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil. Em Montes Claros, no Norte de Minas, Lula repetiu o problema brasileiro é esperar que a salvação venha do exterior. Ele ainda reforçou que não está disposto a abrir mãos de riquezas naturais, como as chamadas “terras raras e minerais críticos”.

“Eu vinha no avião discutindo com o Alexandre Silveira, o Pacheco e o Rui Costa sobre esse negócio de materiais críticos, minerais críticos e terras raras. Eu nunca tinha ouvido falar nisso e, de repente, aparecem os caras falando disso. Eu nem sabia que mineral falava, como é que ele seria crítico?”, brincou o presidente.

“Eu estou descobrindo que são coisas muito valiosas, que a gente tem e que nós nunca tomamos conta. Por isso, na semana que vem temos uma reunião marcada com o Conselho Nacional de Política Mineral. Eu vou criar um Conselho ligado à presidência da República. Ninguém vai colocar o dedo nos nossos minerais críticos ou terras raras. Se quiserem, venham aqui comprar ou venham produzir aqui”, afirmou Lula.
 
O presidente esteve em Montes Claros para inaugurar a construção da Acelen Agripark, que fará pesquisa e desenvolvimento da macaúba na produção de biocombustível feito a partir de macaúba, uma planta muito comum na região. “Eu não sabia nem para quê servia Macaúba. Uma fruta que ninguém come, nem avestruz come; num serve nem para fazer pinga. Aí, vem vocês e fazem biodiesel, combustível para aviação”, disse.

A fábrica em Montes Claros é vinculada a um fundo de investimento dos Emirados Árabes Unidos, e foi utilizada pelo presidente como exemplo de que o Brasil tem capacidade de atrair investimentos estrangeiros, sem ter que entregar riquezas. Na fábrica, foram investidos R$ 314 milhões, sendo R$ 258 milhões financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A expectativa é de que sejam produzidos 1 bilhão de litros de SAF (combustível de aviação) por ano, a partir de 2028, com geração de 85 mil empregos.

No alvo de Lula, passou sobretudo os Estados Unidos, mas sem citar diretamente o nome do presidente americano Donald Trump. Em tom ufanista, o presidente exaltou as qualidades do povo brasileiro e as riquezas naturais do país e disse que o Brasil não teve o salto de desenvolvimento igual aos norte-americanos por causa da falta de investimento em educação.

“Qual país vizinho dos Estados Unidos ficou rico? Vocês não acham interessante que, em toda américa latina, américa central e caribe, não tenha nenhum país rico? A verdade é que, para que esses países se desenvolvessem, era necessário investir na educação. O Brasil não investiu no momento certo”, disse.

O presidente afirmou que o país não pode ficar "deitado em berço esplêndido", e que precisa sair para vender as riquezas.  “Vocês quem tem que acreditar. Não posso ficar esperando que a China, os Estados Unidos, a Rússia, resolvam o problema do país. Quem tem que resolver somos nós: 215 milhões de brasileiros”, disse.