Um dia após o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, confirmar a indicação do seu braço direito para diretoria no Banco Central, o atual secretário-Executivo da pasta, Gabriel Galípolo afirmou, nesta terça-feira (9) que “a intenção é facilitar” o “diálogo” e “convergência” entre a política fiscal e monetária, bem como fazer ponte de interlocução entre a Fazenda e o BC. 

Gabriel Galípolo afirmou que tem boa relação com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e com toda a diretoria. "O que não significa, obrigatoriamente, que todo mundo vai pensar igual".

Ele foi indicado para ocupar a diretoria de Política Monetária da autoridade monetária. Além dele, Fernando Haddad também confirmou o nome de Ailton Aquino dos Santos para a diretoria de Fiscalização do BC. As indicações de ambos precisam passar pelo aval do Senado. Haddad disse que o objetivo da indicação era entrosar as equipes da Fazenda e do Banco Central.

Durante a entrevista desta terça-feira, Galípolo reiterou que a relação será a melhor possível. "Mais educada possível, mais cordial com o Banco Central. Óbvio que existe uma grande afinidade de pensamento com o ministro Fernando Haddad e a intenção é conseguir facilitar este diálogo, facilitar essa convergência das duas políticas (fiscal e monetária)", pontuou. 

A entidade monetária e o presidente do BC são alvos de críticas do governo federal, em especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quem têm atacado a atual taxa de juros. O Comitê de Política Monetária (Copom) voltou a manter, pela sexta vez seguida, a Selic em 13,75%. O patamar de juros continua no maior nível desde dezembro de 2016.

Gabriel Galípolo negou, caso tenha seu nome aprovado pelo Senado, que seu voto na diretoria do BC será sempre contrário.  ao da autoridade monentária. “Eu espero que a gente possa produzir consenso”, afirmou.

“Tenho completa convicção de que toda a diretoria do Banco Central não tem nenhuma satisfação - nem profissional e nem pessoal - de ter um juros mais alto. Tenho absoluta convicção disso. Eu acho que o que vem sendo feito pela Fazenda é tentar criar um ambiente para que o mercado possa colocar os preços da maneira adequada;  e o Banco Central possa sancionar essa redução de juros”.

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