O líder da oposição ao governo de Romeu Zema (Novo) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), André Quintão (PT), se consolida como a principal alternativa do PT para ser o vice na chapa de Alexandre Kalil (PSD) ao governo de Minas. Quintão tem se tornado favorito mesmo que, segundo alguns petistas, um grupo minoritário dentro da sigla resista ao nome dele.
Este é o cenário após o coordenador da campanha de Lula em Minas, o deputado federal Reginaldo Lopes (PT), ter indicado que prefere não ser o vice para concorrer à reeleição na Câmara dos Deputados.
O partido ainda discute internamente quem indicar, mas Quintão sai na frente porque é o nome preferido do presidente da ALMG, Agostinho Patrus (PSD), que foi quem abriu mão de ser vice para que uma aliança pudesse ser firmada com o PT, e, por extensão, de Kalil. Além disso, nenhum outro nome de expressão é citado por petistas quando questionados sobre indicações para a chapa.
Eles reconhecem que o ex-prefeito deve ser ouvido na escolha do companheiro de chapa, mas ressaltam que a decisão será tomada pela legenda.
A reportagem de O TEMPO apurou que até o momento as direções nacional e estadual não fizeram contato com Quintão sobre a possibilidade de ele ser o indicado. A percepção dentro do partido é que o deputado estadual mantém a pré-campanha para a reeleição, mas que toparia assumir o posto de candidato a vice.
“O nome do André é um nome que o Kalil disse que tem preferência. O nosso campo interno no PT não tem objeção a ele, apesar de eu achar que seria bom escolher uma mulher como vice porque só há homens na chapa. Mas essa questão tem que ser construída internamente no PT e também com o Kalil. Tem que ser bem feitinho”, disse o presidente do PT em Minas, Cristiano Silveira (PT), acrescentando que há dirigentes partidárias, deputadas e vereadoras capazes de assumir o posto.
Ele ressalta, no entanto, que a tradição no PT é que os pretendentes construam apoio internamente antes de se apresentar como possíveis candidatos, no caso a vice-governador. “E aí a gente abre para que outras pessoas interessadas também possam se colocar. (A decisão) cabe ao partido, entretanto é importante que o Kalil seja ouvido”, afirmou o presidente do PT mineiro.
O deputado Rogério Correia (PT) defende que o PT abra mão de fazer um debate interno que pode durar muito tempo e referende logo o nome de Quintão.
Correia é de uma corrente interna do partido, Socialismo em Construção, distinta da de Quintão, que pertence ao grupo Construindo um Novo Brasil. “A não ser que fosse alguém que houvesse desconfiança dentro PT, que justificasse o debate de outros nomes, o que não é o caso. O André é muito benquisto, é muito hábil politicamente e tem condição de representar muito bem o PT”, diz ele.
O PT elaborou um documento com 13 pontos que quer que sejam incorporados ao programa de governo de Kalil. “A comissão que tirou o programa foi formada pelo André, por mim e pelo Cristiano. Se ele tem a confiança do partido para estar em uma comissão dessas, ele tem total confiança nossa para ser o vice”, concluiu Correia.
O deputado federal Patrus Ananias (PT), de quem André Quintão foi secretário de Desenvolvimento Social durante a gestão da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) nos anos 90, também defende a indicação do aliado.
”É o melhor nome que temos no momento. Precisamos de um vice que tenha grande capacidade de diálogo para governar bem Minas, e o André é uma pessoa com grande capacidade de ouvir e buscar consensos diante das diferenças. Além do diálogo, ele também tem capacidade de gestão comprovada. Foi pelo trabalho que fizemos em Belo Horizonte, ele como secretário, que o presidente Lula nos convidou para implantar o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome”, afirmou Patrus.
Trajetória
Sociólogo e assistente social, André Quintão foi secretário de Desenvolvimento Social de Belo Horizonte na gestão Patrus Ananias. Foi vereador da capital por dois mandatos, tendo sido eleito em 1996 e 2000.
É deputado estadual desde 2003, tendo vencido cinco eleições para o cargo. Entre 2015 e 2016, foi secretário estadual de Trabalho e Desenvolvimento Social na gestão de Fernando Pimentel (PT).
Virgílio e Paulo Guedes dizem não querer o posto
Petistas ouvidos por O TEMPO afirmam que o grupo do deputado estadual Virgílio Guimarães (PT) e do deputado federal Paulo Guedes (PT) teriam resistência a André Quintão porque o próprio Guimarães teria o desejo de ser o vice de Alexandre Kalil (PSD).
Procurado, o deputado estadual disse que não sabe qual é o quadro dentro do PT para a escolha do vice e que ficou sabendo pela imprensa, inclusive por O TEMPO, que a direção nacional iria coordenar o processo de decisão. Ele acredita que haverá uma consulta às bancadas, o que, de acordo com ele, ainda não aconteceu.
“Não sei se eu tenho resistência a alguém, se eu não tenho. Não sei qual é o quadro e não fui consultado,” afirmou Virgílio.
Questionado sobre um suposta oposição ao nome de Quintão e se teria vontade de ser o vice, ele explicou: “Quando teve a inscrição preliminar dentro do PT, eu me inscrevi para todos os cargos. Governador, vice, senador, suplente, deputado federal. A minha inscrição prévia foi no sentido de dizer que não sou candidato a deputado estadual porque já tenho meus candidatos a esse cargo e estou em campanha com eles”, disse Virgílio.
O deputado federal Paulo Guedes adotou linha semelhante. “Não estou disputando isso (ser o vice). É óbvio que o fato de eu ser de uma região (Norte) onde o PT é mais forte em Minas, isso acontece de forma natural. Mas não tenho nenhuma disputa com o André, que é meu amigo”, afirmou. “A questão do vice não foi discutida no partido. O que pode haver é conversa atravessada, um fala daqui, outro de lá. Mas isso sequer foi discutido comigo”, concluiu Guedes.
Lula deve visitar o Triângulo
Petistas afirmam que há possibilidade de Lula voltar a Minas Gerais nas próximas semanas, possivelmente em uma visita ao Triângulo.
A ideia é que seja o primeiro compromisso em que ele estará junto com Alexandre Kalil, mas os detalhes ainda não foram definidos.
A escolha seria estratégica, já que é uma região onde o ex-prefeito de Belo Horizonte ainda é desconhecido, apesar de ter feito diversas viagens ao Triângulo.