O Bahia saiu em vantagem nas quartas de final da Copa do Brasil ao bater o Fluminense por 1 a 0 na noite desta quinta-feira, na Arena Fonte Nova. O gol de Luciano Juba aos 40 minutos do segundo tempo amenizou uma atuação ofensiva pouco inspirada do time e ainda colocou o Tricolor mais perto de uma semifinal inédita da competição. Mas nem todo mundo ficou satisfeito na partida.

Substituído aos 25 minutos, o meia Cauly respondeu as vaias da torcida, foi abraçado por Rogério Ceni e, aborrecido, desceu direto para os vestiários da Arena Fonte Nova a pedido do próprio treinador.

— Para deixar claro, eu que pedi para o Cauly ir para o vestiário. Quando ele vem, fica chateado, nervoso, eu disse: "Não responda, a torcida é predominante. Eles pagaram o ingresso e têm o direito de se manifestar. Vá descansar no vestiário" — explicou o treinador.

Cauly em ação contra o Fluminense (Foto: Letícia Martins / EC Bahia)
Cauly em ação contra o Fluminense (Foto: Letícia Martins / EC Bahia)

Os torcedores, inclusive, pegaram no pé do camisa 8 a todo momento, algo que passou a ser frequente nos jogos. Com a confiança em baixa e desempenho que deixa a desejar, aquele Cauly que brilhou em 2023 virou reserva de luxo do Bahia em 2025, mas Ceni ainda dá muitos créditos ao atleta.

— Cauly colaborou numa função que não é a dele porque Pulga só foi liberado para 30 minutos no máximo. Claro que Cauly não é o Pulga, não tem a velocidade, é de construção. Quando tenho um jogador que só pode fazer 45 minutos, mesmo que não seja obrigação do torcedor saber, tenho que usar Cauly pelo lado. Kayky sai antes porque estava mais cansado, e não entrei com dois pontas porque eles não tinham condição — detalhou o treinador.

Desafio do Bahia contra o Mirassol e sequência

Essa temporada tem sido especialmente cruel com o Bahia, time da Série A que mais entrou em campo, com 58 jogos. A equipe segue viva em três competições, mas a montagem do time tem se tornado um desafio cada vez mais difícil para Rogério Ceni, que começa a se deparar com desgastes e lesões no elenco.

— No 3 a 3, todo mundo falou que o Fluminense tinha desfalques e nós jogamos completos. Agora eu devolvo: nós jogamos com vários desfalques, e o Fluminense veio completo. O jogo não se baseia só nisso. Fizemos os primeiros 25 minutos muito bons. Se esse time tiver descansado, jogando uma vez por semana, deve entregar mais tempo de volume de jogo.

— Se outros reclamam do calendário com dez dias de folga, nós temos dois jogos nesse intervalo. Para a gente é mais apertado e complicado de achar jogadores. Jogar domingo, quarta, sábado, enquanto o Fluminense deve estar descansando e se preparando. Mas é o que temos, vamos dar um jeito de sobreviver — completou.

Rogério Ceni orienta Pulga e Lucho em jogo contra o Fluminense (Foto: Letícia Martins / EC Bahia)
Rogério Ceni orienta Pulga e Lucho em jogo contra o Fluminense (Foto: Letícia Martins / EC Bahia)

O próximo compromisso desse Bahia repleto de desfalques está marcado para as 18h30 deste domingo (horário de Brasília), quando a equipe visita o Mirassol, no Maião, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida de volta contra o Fluminense está marcada para as 19h do dia 10 de setembro, no Maracanã.

— O Mirassol é um belíssimo time, não se apeguem a nomes. No futebol isso não vale mais nada, o que vale é motivação, a juventude às vezes é melhor que o cara ranzinza que não quer trabalhar mais. O Mirassol é muito bem treinado e só joga uma vez por semana. Além do talento e do treinador, tem o descanso. Hoje estavam assistindo à gente enquanto todo mundo se matava dentro de campo.