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25/11/21
20h12

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Ingresso para jogo do Galo ficou cinco vezes mais caro em um mês

Ao mesmo tempo que o atleticano se mostra cada vez mais empolgado com o time, o ingresso fica mais caro

Mesmo com os valores altos, a torcida tem lotado o Mineirão — Foto: Pedro Souza/Atlético
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25/11/21 - 20h12

O bom momento do Atlético no Campeonato Brasileiro se reflete nas arquibancadas do Mineirão. Desde que a Prefeitura de Belo Horizonte liberou carga máxima para os jogos de futebol, no começo deste mês, a torcida alvinegra tem comparecido em peso. E não será diferente neste domingo, contra o Fluminense. Mas ao mesmo tempo que o atleticano se mostra cada vez mais empolgado com o time, o ingresso fica mais caro. O preço da entrada está cinco vezes maior em comparação ao início de novembro.

No mesmo ritmo que cresce a empolgação do torcedor, também sobe o valor do ingresso para os jogos do Galo. Com a demanda muito maior do que a oferta, entradas para as partidas do Atlético em 2021 ficaram todas com os sócios do clube. Quem paga uma mensalidade maior tem mais desconto no bilhete, enquanto quem paga um valor menor vai ter o desconto menor na hora de comprar o ingresso. É assim que funciona o programa de sócio-torcedor do Galo, que já tem mais de 115 mil associados.

Para o duelo deste domingo, contra o Fluminense, o ingresso mais barato é o vendido para os sócios das modalidades "Preto" e "Forte e Vingador". Para esse sócio a entrada mais em conta custa R$ 99,75. Para ver o jogo atrás dos gols, seja na cadeira superior ou inferior. Quase cinco vezes mais do que o valor cobrado pelos mesmos setores na partida contra o Grêmio, em 3 de novembro.

Diante da equipe gaúcha, o valor para o sócio foi de R$ 21. E os reajustes foram gradativos, a cada rodada como mandante. Contra América, Corinthians e Juventude. Nesse último, por exemplo, a entrada atrás dos gols custou R$ 59,50.

Assim aconteceu em todos os setores do Mineirão, se comparado os preços dos ingressos contra o Grêmio e os que foram divulgados para o duelo com o Fluminense. O setor roxo superior saltou de R$ 35, no começo de novembro, para R$ 199,50. Enquanto o roxo inferior foi de R$ 52,50 para R$ 269,15.

Como o time vai muito bem em campo e está cada vez mais próximo de conquistar o Campeonato Brasileiro, depois de 50 anos, a torcida tem comparecido em peso. O reflexo dos grandes públicos no Mineirão e os constantes reajustes aparecem nas finanças do clube. Apesar de jogar mais da metade da temporada sem a presença de torcida do estádio, em função da pandemia causada pelo novo coronavírus, o Atlético já superou com folga a meta estabelecida para 2021.

De acordo com o orçamento aprovado pelo conselho deliberativo do clube em novembro do ano passado, a projeção de faturamento com bilheteria era de R$ 19,2 milhões. Até o momento, a arrecadação bruta do Galo com venda de ingressos está em R$ 22,6 milhões. Com mais duas partidas do Brasileiro por disputar, além da final da Copa do Brasil, a expectativa dentro do Atlético é de que o clube vai conseguir arrecadar cerca de R$ 40 milhões com a bilheteria.

Torcedor na bronca

Com o preço do ingresso subindo e apenas os adeptos do programa sócio-torcedor conseguido garantir a ida aos estádios, os atleticanos que ficam de fora estão na bronca com o time. O cuidador de idosos Pedro Vinícius de Freitas é um deles. Ele afirma que o time precisa "pegar mais leve" no preço dos ingressos. 

"Está difícil, os preços estão um pouco alterados. Tem que pegar um pouquinho mais leve com o torcedor que torce por amor, para nós da galoucura termos a oporutnidade de assistir. No domingo, eu vou estar acompanhando o jogo do meu trabalho, mas acredito que muitos torcedores não vão conseguir acompanhar o jogo ao vivo por conta do preço", lamenta. 

O comerciante Osmar Vaz da Silva, 59, diz que não vai ao estádio desde antes do início da pandemia de Covid-19, em março de 2020. Apesar disso, ele diz que se for escolher entre ir ao estádio ou ver pela televisão, ele prefere ir a um barzinho para ver a partida pela TV. 

"Podia reservar um pouco de ingresso para a torcida, o povão mesmo. Com a crise que está e o ingresso caro, é muito mais fácil você assitir o jogo em um bar tomando uma cerveja do que você ir ao Mineirão. Estacionamento caro, tudo caro. Fica mais complicado e o povão vai afastar mesmo do estádio, não tem jeito não. No domingo eu vou procurar um bar um bar com cerveja gelada e assitir na televisão mesmo", afirma.

Sem outra alternativa, o mestre de obras Geraldo Dimas de Andrade, 55, disse que vai ter que entrar para o programa de sócio-torcedor do Atlético para conseguir ir ao estádio. Ele ainda promete comprar foguetes para comemorar.

"Eu acho um absurdo, porque o salários que as pessoas ganham é bem complicado. O preço está muito salgado. A partir de janeiro vou começar a ser sócio-torcedor. Era pra eu ter feito há mais tempo. Na semana que vem eu vo ter tempo e vou lá. O galo é sagrado, não tem jeito. Lá na minha terra é foguetório direto, eu estou até indo buscar mais foguete no Mercado Central. 

 

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