Josias Pereira
@superfcoficial
04/02/20
09h08

Rombo

Cruzeiro revisa balanço de 2018 e déficit passa de R$ 27 mi para R$ 73 mi

Valor é 170% superior ao apresentado inicialmente pela gestão anterior da Raposa

Josias Pereira | @superfcoficial
04/02/20 - 09h08

Em abril do ano passado, o balanço relativo ao ano de 2018 foi aprovado pelas conselheiros do Cruzeiro. O documento foi um dos estopins para a eclosão da crise política, administrativa e financeira que assola o clube, uma vez que não recebeu a aprovação do conselho fiscal. Na ocasião, os responsáveis pelo setor renunciaram. Em pleno 2020, o clube ainda busca a revisão desse documento e a aprovação do mesmo em reunião que será realizada na próxima quinta-feira. No novo balanço existe a correção do débito, que se mostrou muito superior ao apresentado pela antiga gestão, passando de R$ 27.236.795 para R$ 73.816,626, valor 170% superior ao apresentado inicialmente. 

Chama a atenção ainda débitos do clube na ordem de R$ 33 milhões apenas em FGTS, além de vencimentos relativos a atletas e funcionários. O levantamento ainda alerta para a dificuldade do Cruzeiro em relação às rescisões em aberto, até dezembro de 2019 em pouco mais de R$ 17 milhões. 

O novo documento conta com a revisão e análise de auditores independentes, trabalho executado pela consultoria Oliveira Mendes, e a assinatura de seis membros do conselho fiscal. 

A revisão do balanço traz ainda a atualização da dívida total do clube no exercício 2018, agora em R$ 534 milhões. Na apreciação do documento do ano passado, o débito era de R$ 520 milhões. Em 2017, o orçamento o apontou uma dívida de R$ 385 milhões. Ou seja, um aumento de quase 39%.

Empréstimos 

Um dos pontos do novo balanço mostra a movimentação de empréstimos contraídos pelo clube com o Banco BMG. Em 2017, nenhuma operação foi feita com a instituição financeira. Mas em 2018, a administração registrou um débito de quase R$ 34 milhões com juros de 1,34% ao mês. 

Os valores com empréstimos e financiamentos até dezembro do ano passado atingiram um montante de R$ 164,8 milhões, com parte desses valores sendo renegociadas pela administração atual. 

Revisão de dívidas 

O valor total das dívidas com terceiros e outras agremiações do país e também de fora do Brasil passou de  R$65,3 milhões em 2017 para R$ 97.068.137,00. Estão somadas nestas cifras débitos com clubes nacionais na ordem de R$ 8,245.326,00, com agremiações internacionais em R$ 58.831.896,00 e com terceiros em R$ 29.989.915,00. 

Arrascaeta 

Outra importante mudança foi a saída da negociação envolvendo Arrascaeta, um dos pontos mais discordantes do balanço aprovado no ano passado. Agora o valor de R$ 44,3 milhões foi subtraído das operações referentes aos direitos econômicos negociados pelo clube em 2018.

Antecipação de receitas 

O balanço ainda aponta que o clube antecipou em 2019 pouco mais de R$ 3 milhões em receitas dos direitos de transmissão do Campeonato Mineiro e da Copa do Brasil deste ano.

Profut e dívidas tributárias 

O Cruzeiro tem reuniões em Brasília marcadas para esta semana para a renegociação dos valores referentes ao Profut e também a inscrição no Refis, ameaçada, segundo balanço, por causa da inadimplência das obrigações tributárias em 2019. Há um tópico na revisão do levantamento que mostra o clube tendo parte da dívida tributária inscrita para cobrança da Procuradoria da Fazenda Nacional, totalizando um valor possível de execução de R$ 268,6 milhões. 

Recomendações 

O novo conselho fiscal do Cruzeiro emitiu seu parecer sobre o balanço atentando para despesas elevadas no futebol profissional e intermediações, aumento com endividamento e possibilidade de insolvência, além de ingressos distribuídos e a verificação de todas as antecipações e empréstimos realizados no ano de 2018. 

O conselho fiscal ainda pede mudanças no estatuto, solicitando a responsabilização dos dirigentes por gestão irregular ou temerária, bem como medidas judiciais cabíveis contra os gestores para o ressarcimento dos prejuízos causados ao patrimônio do clube. Esses dirigentes ainda ficariam inelegíveis por dez anos para cargos eletivos em qualquer entidade desportiva profissional.

 

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