Um garoto franzino, vindo do Rio de Janeiro. Poderia não dar em nada, poderia ser mais um. Mas ele era especial. Por Ronaldo, que viria pouco tempo depois a ter em seu nome a alcunha de Fenômeno, o Cruzeiro fez um investimento de US$ 25 mil dólares, indicação do lendário craque Jairzinho. O dinheiro mais bem gasto da história celeste. A ascensão foi rápida. O talento era inegável. O São Cristóvão foi a ponte e a Raposa foi a porta para que o mundo soubesse quem era Ronaldo Luís Nazário de Lima.
Contratado no dia 4 de janeiro de 1993, Ronaldo permaneceu no Cruzeiro até o dia 3 de agosto de 1994. Mas a história dele com o clube estrelado jamais terminaria ali. Estariam para sempre atrelados. Os US$ 25 mil dólares se transformaram em incríveis US$ 6 milhões de dólares (R$ 10,7 milhões, com a correção monetária de 2021), a maior negociação do futebol brasileiro à epoca, quando Ronaldo deixou o Cruzeiro pós-Copa do Mundo de 1994 rumo ao PSV Eindhoven, da Holanda.
Mas a passagem tão rápida foi meteórica.Dois meses após Ronaldo fazer sua estreia pelo Cruzeiro aos 16 anos, no dia 25 de maio de 1993, em jogo contra a Caldense, em Poços de Caldas, pelo Mineiro, o técnico Carlos Alberto Silva levou o atacante para uma excursão que a Raposa fez em Portugal. A ideia era que ele apenas composse o elenco. Mas a realidade foi outra. Voltou como titular e destaque do time. O resto é história.
Foram 56 gols em 58 partidas. Na conta, os títulos da Copa do Brasil de 1993 e a conquista do Mineiro de 1994. Mas ele sempre se destacou mesmo com as bolas nas redes. Foi o máximo goleador da Supercopa dos Campeões da Libertadores de 1993, com oito gols; artilheiro do Mineiro de 1994, com 22 bolas na rede. Até mesmo sua despedida da Raposa, no empate por 1 a 1 com o Botafogo em 1994, ele foi às redes.
Vinte e sete anos depois e sua venda para a Holanda, Ronaldo retorna ao Cruzeiro em outra posto. O de dono do clube que o projetou ao futebol. Os US$ 25 mil dólares de 1993 junto ao São Cristóvão que se transformaram em R$ 400 milhões essenciais para salvar o Cruzeiro no momento mais difícil de sua história. Um roteiro de filme. Quando entrou na Toquinha, em 1993, Ronaldo era um desconhecido, não era possível prever o tanto que aquele garoto seria fundamental para o Cruzeiro.