Daniel Ottoni
@dottoni
14/01/21
07h35

'Ouro' de Araxá

Extreme E conta com participação mineira da fundação ao suporte tecnológico

CBMM é parceira do evento off-road de carros elétricos, fornecendo nióbio no desenvolvimento do veículo que será usado por equipes; disputa começa em março

alejandro agag CEO extreme E
Alejandro Agag foi, pessoalmente, ao escritório da CBMM, em São Paulo, para firmar parceria — Foto: Divulgação
BAC carro monoposto
Monoposto inglês conta com nióbio da CBMM para seguir direcionamento do governo local — Foto: Divulgação
Daniel Ottoni | @dottoni
14/01/21 - 07h35

Não é exagero dizer que Minas Gerais tem papel primordial na criação e aprimoramento da Extreme E, competição off-road de carros elétricos que se prepara para estrear em 2021. A concepção do projeto teve participação direta da CBMM, com sede em Araxá, que fornece nióbio, elemento essencial no Odissey, carro que será usado por todas as equipes.

A corrida começa em abril, na Arábia Saudita e vai até dezembro, sempre em locais extremos do planeta. No Brasil, o evento passará pela região amazônica no Estado do Pará em outubro (confira, ao final, o calendário completo). O produto vai de encontro à missão da empresa de fazer parte de um evento que combate o aquecimento global e defende a sustentabilidade. 

Além da vantagem de ser um equipamento leve e de alta resistência, gerando menor consumo de energia, o nióbio traz a vantagem de proporcionar o carregamento ultra-rápido de baterias sem o risco de acidentes provocados pelo aumento de temperatura.

"Este é um dos principais atributos de valor do nióbio e já vimos despertar o interesse de outras empresas, grandes produtores de bateria em vários continentes. O nióbio é um grande aliado para as novas gerações e ele tem uma importância muito grande no mundo da mobilidade elétrica, é uma aposta grande que a CBMM tem nos próximos 10 anos", comenta Giuliano Fernandes, head de comunicação e marketing da empresa. Ele ainda reforça o diferencial do material ao proporcionar maleabilidade ao aço, que contribuiu em processos de design e montagem envolvendo curvaturas.

O nióbio tem como atrativo ser um substituto do cobalto, material muito usado em baterias mas que tem relação direta com um método agressivo de exploração. Essa 'pegada' técnica, aliada a responsabilidade social e ambiental impulsionou o interesse do nióbio, também usado em veículos comerciais. 

Pequena quantidade faz grande diferença

Ao contrário do que muitos pensam, o nióbio não é um minério. Ele é feito a partir do pirocloro, esse sim um mineral, que passa por um processo de transformação. Ao ser adicionado mesmo com pequenas adições, o nióbio produz diversos benefícios. 

Todo o potencial da empresa foi logo percebido por Alejandro Agag, organizador da Extreme E, que fez questão de visitar o escritório da empresa em São Paulo. "A gente deixou claro para eles que, mesmo sem saber exatamente como, estaríamos dentro do projeto. Por isso, somos co-fundadores da Extreme E, indo além de ser um patrocinador. A CBMM é uma empresa que apoia e ajudou na formatação de ideias desde o começo. O nosso papel foi contribuir com a máxima eficiência do carro usando baixo peso", explica Giuliano.

A montadora inglesa BAC não demorou a perceber o trabalho da CBMM e também se interessou por uma parceria que pudesse ser útil para seu projeto de monopostos, carros com capacidade para uma única pessoa. A ideia era aproveitar suporte do governo inglês de fomentar a mobilidade sustentável e o avanço tecnológico de novos veículos.

Mercado interno ainda a ser explorado

Apesar de ter forte ligação com Araxá, no Alto Paranaíba mineiro, onde foi criada, a CBMM tem 96% dos seus negócios feitos com o exterior. "Nossa atividade industrial é complexa, contando com a integração de várias fábricas, desde a mina até laboratórios de desenvolvimento de pesquisa. Tudo isso em Araxá", revela. A atuação no Brasil é vislumbrada pela empresa, ciente dos benefícios deste processo. "Dentro do país, não temos a barreira logistica, a interlocução é mais fácil, a cadeia menos longa", pontua Giuliano. 

A CBMM atua com a sustentabilidade através de trabalho ambiental de preservação de matas ciliares e reprodução de animais como lobo-guará e anta. Antes mesmo do critério de certificação Iso 14.000 ser criado, tendo como referências práticas ambientais, a CBMM já realizava todos os protocolos que seriam exigidos posteriormente. 

"Nosso primeiro objetivo no motorsport não é vender nióbio e sim dar uma aviso ao planeta de como é possível fazer veículos inteligentes com nosso material e conhecimento. Sabemos do grande apelo midiático da Extreme E e ele será importante neste processo. A CBMM entende o motorsport como acelerador de seu programa de tecnologia, além de importante campo de testes e validações de veículos em condições extremas. Nada melhor do que os esportes a motor para testar os limites", conta Giuliano. A empresa projeta presença no motorsport no Brasil e encontrou, como aliada, a Giaffone Racing, que possui grande know em produzir carros para off-road e estrada.

A CBMM também ajudou na formulação do plano de reforma do Santa Helena, navio que será o quartel-general do evento, percorrendo os cinco continentes que vão receber etapas do evento. Uma das prioridades foi tentar, ao máximo, diminuir o consumo de petróleo e usar materiais mais eficientes, como contêiners, com estruturas mais leves e de menor emissão de carbono.

Confira o calendário da Extreme E em 2021

3 e 4 de abril - Deserto da Arábia Saudita
29 e 30 de maio - Senegal
28 e 29 de agosto - Groelândia
23 e 24 de outubro - Santarém, Pará
11 e 12 de dezembro - Tierra del Fuego, Argentina - Ushuaia   

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