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Metrô de BH: construção da linha 2 vai desocupar cerca de 300 imóveis nas regiões Oeste e Barreiro

Concessionária está em negociação com as famílias que construíram nos locais onde será instalada a extensão da linha férrea

Por Bruno Daniel, Gabriel Rezende e Vitor Fórneas
Publicado em 28 de maio de 2024 | 18:10
 
 
 

A construção da linha 2 do metrô de Belo Horizonte, que vai expandir a operação do modal para a região do Barreiro, provocará a desocupação de cerca de 300 imóveis. Os dados foram apresentados nesta terça-feira (28 de maio) pelo secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias, Pedro Bruno.

Segundo o gestor, são imóveis construídos na faixa de domínio da linha férrea, onde será construída a linha 2. O número é maior do que as projeções iniciais apresentadas pela concessionária Metrô BH, que administra o transporte sob trilhos da região metropolitana desde meados de 2023.

Inicialmente, a previsão era de que 250 famílias precisassem deixar suas casas. Além de falar sobre as desocupações, o secretário anunciou a antecipação da operação da linha 2 para o primeiro trimestre de 2028. Inicialmente, a previsão era de que a ampliação só estivesse em funcionamento em 2029.

Desocupações

Um dos locais onde há previsão da linha 2 do metrô passar é perto do encontro entre as avenidas Amazonas e Tereza Cristina, no bairro Gameleira, região Oeste de Belo Horizonte. Alguns moradores do local, que fica às margens de uma linha férrea, já foram notificados pela Metrô BH de que precisarão deixar as casas.

Alguns imóveis no local já estão com um adesivo branco na porta, indicando que a casa vai dar lugar aos trilhos. Um dos imóveis é onde a aposentada Maria Aparecida da Silva, de 75 anos, mora com outros quatro familiares, entre netos e filhos. Segundo a mulher, em dezembro do ano passado, ela foi informada pela concessionária de que precisaria deixar o local. "Perguntaram se eu queria uma casa ou o dinheiro. Eu acho melhor o dinheiro. Ficaram de fazer uma vistoria para ver qual o valor", relata.

Apesar de admitir o desejo de permanecer no lar de toda a vida, Maria e a família não estão insatisfeitos com a futura mudança de casa. Mas a idosa revela um incômodo com a falta de um prazo para deixar o local. "Primeiro, era em março, depois passou para abril, agora já estamos em maio. A gente fica preocupada, por não saber como vai ser", diz a moradora, que vê um lado bom em deixar o local. "A gente fica um pouco sentido, mas aqui também está muito bagunçado", resume.

A apenas alguns metros de distância, o pedreiro Marco Antônio da Silva, de 58 anos, vive uma incerteza ainda maior. O homem ainda não sabe se terá que deixar a casa de quatro andares onde mora há cerca de 30 anos com a esposa e as duas filhas. "Fizeram uma vistoria inicial e me pediram para aguardar, para ver o que será dito pelo engenheiro sobre minha indenização, se eu vou sair ou não", relata.

Marco Antônio afirma que, até o momento, não foi procurado por membros do Governo ou da Defensoria Pública para negociar a saída do local. O morador afirma que já tem para onde ir, se for necessário.

"Às vezes a pessoa não está a fim de sair, mas se disserem que tem que sair, a gente avalia, eles indenizam e a gente vai pra outra. Tenho um lugar no bairro Califórnia", afirma.

Linha 2

Serão construídas sete novas estações, começando no trecho entre o Calafate e a Gameleira e terminando na região do Barreiro. As obras têm previsão de início para setembro deste ano e, no primeiro trimestre de 2028, a ampliação deve estar em funcionamento. Os trilhos vão acrescentar 10,5 km de extensão ao metrô, totalizando 38,6 km.

Atualmente, o projeto está em fase de licenciamento ambiental. Só após a Secretaria de Estado de Meio Ambiente aprovar o traçado é que as obras podem começar. A previsão inicial era de que os trabalhos começassem em maio deste ano, porém, agora, a expectativa é que seja em setembro.

Conforme estabelecido no contrato de concessão do modal para a iniciativa privada, o prazo máximo para colocar a linha 2 em funcionamento é até 2029.

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