Crise na saúde

Faltam pediatras em mais de metade das UPAs de BH

Situação tem sobrecarregado a rede pública de saúde em um momento de alta de doenças respiratórias

Por Pedro Nascimento
Publicado em 20 de maio de 2022 | 13:53
 
 
 

As longas filas registradas na porta dos hospitais infantis e a demora média de até 10 horas para atendimento relatada por pais poderiam ser amenizadas caso a rede pública de saúde em Belo Horizonte tivesse mais profissionais distribuídos pela cidade. Atualmente, segundo a Sociedade Mineira de Pediatria, não há médicos especializados na saúde infantil em mais da metade das UPAs de BH.

O alerta é feito pela diretora de assuntos profissionais adjunta da Sociedade Mineira de Pediatria, Ariete Araújo. Segundo ela, as escalas estão prejudicadas, o que afeta os atendimentos especialmente aos finais de semana. “Chega final de semana, quando a situação se agrava mais ainda, e entre todas as UPAs, geralmente só três têm pediatra. Nas outras todas ou não tem, ou as escalas estão incompletas”, relata a diretora.

Ao longo da semana, a reportagem do Jornal O Tempo mostrou que o aumento de doenças respiratórias, comuns nesta época do ano, associada à falta de profissionais nos hospitais de referência tem levado a filas de quase 10 horas para o atendimento das crianças.

De acordo com o também diretor da Sociedade Mineira de Pediatria, Cláudio Drummond, a dificuldade de contratação esbarra na estrutura da rede pública, que afasta os profissionais.

“Muitas vezes o pediatra que vai para uma UPA trabalha sozinho, e aí ele já se sente intimidado não só pela caga de serviço, mas pela carga de gravidade. Quando a gente pega uma criança em estado mais grave, tem que dar um direcionamento e há casos em que o profissional fica mais seis horas procurando um lugar para internar. Tudo isso afasta”, explica Drummond.

Ainda segundo o pediatra, os profissionais da saúde em Belo Horizonte estão optando por atuar na rede privada ou em clínicas, onde os desafios também são grandes, mas a estrutura evita gargalos e sobrecarga de trabalho.

Solução temporária é criticada

Mesmo sem detalhes sobre a solução planejada pela prefeitura de Belo Horizonte de criar um centro pediátrico temporário, Ariete Araújo acredita que a ideia precisa ser melhor avaliada devido ao cenário de falta de profissionais.

“É propaganda em torno de uma coisa que eles (PBH) não vão conseguir cumprir. Não estão conseguindo manter os pediatras nas UPAs, então como vão criar um outro serviço? A melhor opção seria completar as escalas”, avalia

Outro lado

Procurada, a prefeitura de BH disse que há atendimentos de urgência em todas as regionais da cidade. No entanto, em algumas localidades, como nas regiões Centro-Sul e Noroeste, os atendimentos pediatricos são feitos nas UPAs, mas em outros hospitais.

Sobre a contratação de médicos, a PBH informou que empossou 24 pediatras na quinta-feira (19) e que eles devem começar a trabalhar em até dez dias, contados desde quinta-feira (19).

Ainda nesse assunto, a prefeitura também informou que espera contratar mais de 70 profissionais que já foram convocados para tomar posse. Devido à maior demanda, os pediatras foram priorizados.

Confira a resposta da prefeitura na íntegra:

As UPAs Barreiro, Leste, Noroeste, Nordeste, Norte, Oeste, Pampulha e Venda Nova contam com pediatra na escala médica. Nestas unidades, o plantão diurno (7h às 19h) é composto por 21 pediatras. O plantão noturno (19h às 7h) conta com 18 pediatras. Quando há faltas pontuais, a SMSA atua para recomposição da equipe e, quando não é possível contratar médico em tempo hábil, há uma articulação entre as unidades e profissionais, de forma a garantir o atendimento à população.

Devido à pactuação para configuração da rede de urgência e emergência, foi estabelecido que a UPA Centro Sul concentraria seus atendimentos a pacientes adultos. Os atendimentos de urgência pediátrica são realizados pelo Hospital João Paulo II, de gestão da FHEMIG. Na regional Noroeste, os atendimentos pediátricos de urgência são realizados no Pronto Socorro do Hospital Odilon Behrens. Desta forma, em todas as regionais de Belo Horizonte há atendimento pediátrico de urgência.

A Prefeitura trabalha para reforçar o número de profissionais, de forma a melhorar e agilizar o atendimento à população. No final de abril foi homologado o concurso público da área da saúde e mais de 70 profissionais já foram convocados para tomar posse. Devido à maior demanda, foram priorizados pediatras. 28 pediatras já foram empossados. Eles começam a trabalhar em até 10 dias.

A Secretaria Municipal de Saúde informa ainda que mantém ativo um banco de currículos para contratação imediata de médicos. Os interessados devem acessar o site da Prefeitura de Belo Horizonte para realização do cadastro 

Notícias exclusivas e ilimitadas

O TEMPO reforça o compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade.

Nossa redação produz diariamente informação responsável e que você pode confiar. Fique bem informado!