Sustentabilidade

MG ganha fábrica de produto à base de café que melhora o solo para a agricultura

Biochar promete reter mais água e nutrientes na terra, reduzindo a necessidade do uso de fertilizantes


Publicado em 20 de abril de 2023 | 12:00
 
 
 

Será inaugurada nesta quinta-feira (20) na cidade de Lajinha (MG), na Zona da Mata, a primeira fábrica dedicada à produção de biochar da América Latina, um produto à base de resíduos de café que melhora a fertilidade do solo e torna a agricultura mais sustentável.

A iniciativa é da empresa francesa NetZero, uma startup que acaba de chegar ao Brasil.

Funciona assim: o biochar estabiliza de forma duradoura o carbono inicialmente capturado pelas plantas na atmosfera por meio da fotossíntese.

Este carbono estável é colocado no solo para armazená-lo longe da atmosfera. Este processo ajuda a reter mais água e nutrientes na terra, reduzindo a necessidade do uso de fertilizantes.

A nova fábrica em Minas Gerais poderá produzir mais de 4.500 toneladas de biochar por ano, o que significa remover anualmente mais de 6.500 toneladas de CO2 equivalente da atmosfera.

A unidade foi construída em seis meses e emprega diretamente 30 funcionários.

Em Lajinha, a NetZero firmou uma parceria com a Coocafé, uma cooperativa que reúne mais de 10 mil cafeicultores.

Eles irão fornecer milhares de toneladas de resíduos não utilizados provenientes do processo de envelhecimento do café. A NetZero vai transformá-los em biochar. 

Estes mesmos agricultores utilizarão este biochar nos seus campos para melhorar a produtividade das culturas e reduzir a utilização de fertilizantes, ao mesmo tempo em que ajudam na remoção do carbono.

“Acreditamos firmemente que o biochar é uma importante solução para tornar a produção do nosso café mais sustentável”, afirma Fernando Cerqueira, presidente da Coocafé.

A NetZero foi fundada em 2021 e iniciou as operações em uma fábrica-piloto em Camarões, no ano passado.

No Brasil, ela deseja aproveitar o potencial de resíduos derivados das mais diversas atividades agrícolas para impulsionar seus negócios.

Tanto que a empresa planeja construir outras duas fábricas no país ainda em 2023: mais uma em Minas Gerais e uma no Espírito Santo.

“O Brasil é uma região estratégica para a NetZero, pois oferece todas as condições para um rápido scale-up do nosso modelo. É um dos maiores países agrícolas do mundo, com enormes quantidades de resíduos disponíveis para a produção de biochar. Os agricultores são inovadores, cada vez mais preocupados com a sustentabilidade, e dispostos a testar novas soluções. O Brasil também é um país com cultura industrial de ponta, com infraestrutura e competências para garantir o melhor desempenho”, afirma Pedro de Figueiredo, cofundador da NetZero e CEO da NetZero Brasil.

A receita da NetZero é composta por três fontes: venda do biochar para os agricultores que fornecem a palha do café (a um custo de R$ 4 o quilo), venda de energia gerada com a produção de gás durante o processo e a comercialização de crédito de carbono.

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