Esotérico

Constelação revela vínculos de amor com nossos ancestrais

Abordagem permite que o indivíduo tenha consciência de suas relações com os pais e os sistemas


Publicado em 04 de outubro de 2022 | 03:00
 
 
 

Ada, Leyla e Sevgi são três amigas de infância inseparáveis que resolvem passar por um processo chamado de “expansão da família de origem” (nome fictício) para tentarem acessar traumas ou rupturas do passado para fluírem melhor no presente. Este é o tema central da produção turca “Uma Nova Mulher”, que tem roteiro de Nuran Evren Sit e algumas citações do livro “It Didn’t Start With You” (sem tradução para o português), de Mark Wolynn, e que tem se destacado na Netflix. 

Na realidade, o filme foi inspirado na constelação familiar, criada por Bert Hellinger. “No filme, temos três personagens; cada uma está limitada na sua história de vida por questões importantes. São mulheres que mantinham vínculos de emaranhamento e que, a partir da consciência deles, desenvolveram um olhar de honra, respeito, gratidão e inclusão. Elas encontraram um caminho para ressignificar aquelas vivências”, comenta Andrei Moreira, médico homeopata, constelador familiar e escritor. 

Segundo ele, “Ada é muito racional e fria, porque houve um fato emocional muito importante naquele sistema e, a partir dali, todas as mulheres daquela família se contraíram”. “Sevgi se torna muito vinculada à mãe, num desejo de salvação e de querer sacrificar-se por ela, ou seja, cria um vínculo de amor cego; e Leyla conecta-se a uma ancestral que foi excluída e sofreu um grande sacrifício e injustiça, e ela passa a repetir aquilo”, comenta. 

O mérito da série “é nos fazer perceber as conexões com nossa ancestralidade e que nos levam a repetir destinos e vivências daqueles que viveram antes de nós”. “A série se alicerça nessa conexão com a ancestralidade e faz um convite muito importante, que é a tomada de consciência desse vínculo e a percepção de uma postura de respeito e honra que permite aos descendentes construir destinos livres e mais leves do que aqueles que vieram antes”, ressalta o constelador. 

A constelação familiar, diz Moreira, “nos ajuda a perceber que o vínculo com nosso sistema ou nossa família de origem é natural, biológico, automático e inconsciente. No entanto, esses vínculos podem ser de emaranhamento, nos aprisionando, nos levando a repetir destinos ou a ficar limitados”. “Mas há os vínculos de fluxo, de vida, que nos levam adiante, somam”, garante. 

E emenda: “O trabalho da constelação é nos ajudar a ter essa consciência e nos apropriarmos do amor que se expressa por meio desses vínculos a fim de que possamos transformar os vínculos de emaranhamento em fluxo. Ela transforma as pulsões de morte em vida ou faz com que as pulsões de vida prevaleçam dentro do nosso sistema”. 

O constelador cita uma frase grandiosa do criador da técnica, Bert Hellinger: “Quando uma mulher (ou homem) se liberta, ela (ele) se torna uma obra de amor e compaixão, porque não torna liberta apenas a si mesma(o), mas todos os que vêm depois”. Muito antes dele, Carl G. Jung sentenciou: “Nós ficamos conectados com aquilo que nossos antepassados viveram ou deixaram de viver e, inconscientemente, tendemos a realizar os seus sonhos e o que ficou inacabado para eles”. 

A abordagem sistêmica da constelação familiar “é uma filosofia prática para compreendermos os vínculos naturais de amor que inconscientemente estabelecemos com nosso sistema de origem”, reflete Andrei Moreira. 

SERVIÇO: A partir da segunda quinzena de outubro, acontecerá a imersão online em constelação familiar com Andrei Moreira. Informações no site www.andreimoreira.com ou pelos telefones (31) 9985-28031 e (31) 99700-1112. Você pode assistir aos vídeos sobre a série no canal do YouTube Andrei Moreira ou no Instagram @andreimoreira 

Vínculo de lealdades invisíveis 

A série explora o conceito de “lealdades invisíveis”, que na constelação familiar é chamado de “amor cego”. “Este é o vínculo mais forte e nos leva a querer nos sacrificar por aqueles que vieram antes, fazer coisas no lugar deles, resolver o que é deles, preencher os vazios de seus corações, se meter no meio da relação de pai e mãe, ocupar lugar de avô e avó. O vínculo de amor cego é o amor, porém, cego, porque não vê o amor daqueles que vieram antes por nós. Ele olha para trás sem enxergar o ancestral”, observa Andrei Moreira. 

Para a abordagem sistêmica, “quando a criança interna está ferida no ego deve-se ofertar a ela aquilo que ela precisa no agora e, ao mesmo tempo, transformando o amor cego em amor que vê na alma”, explica Moreira. (AED) 

Liberdade é presente da ancestralidade 

Quanto à constelação familiar, quando se fala dos “movimentos de cura”, fala-se de um mergulho que vai do ego para os movimentos sistêmicos mais profundos. “No ego, a gente acolhe a realidade como ela é e caminhamos para tudo o que aconteceu. Nas conexões sistêmicas, nós caminhamos para perceber as formas de vinculação de amor com nossos pais e sistemas, estabelecendo com esse sistema um olhar mais inclusivo, acolhedor e respeitoso e que nos permite a liberdade”, ressalta Andrei Moreira. 

Para ele, “a liberdade é o grande presente da nossa ancestralidade para nós”. “Precisamos respeitar e nos conectar com a força daqueles que vieram antes de nós e abandonar a fantasia de que a gente poderia mudar aquela realidade. Transformar o agora é o nosso grande presente e nossa possibilidade”. (AED) 

Constelação familiar 

Não é prática religiosa; 

Não tem vínculo com qualquer religião; 

Não é tratamento; 

Não requer sensibilidade espiritual; 

Não é um método de transformação mágica; 

Não é para todas as pessoas; 

Não deve ser feito por quem não entende do que se trata. 

 

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