Fórum de Contagem

No júri, testemunhas confirmam agressão a estudante morto na porta de boate

Até o início da noite, três pessoas já foram ouvidas no julgamentos, mais outras dez ainda serão

Qui, 12/09/19 - 19h44
Acontece hoje o julgamento do caso do estudante de direito Cristiano Guimarães Nascimento, de 22 anos.

Três pessoas já foram ouvidas, até o início da noite desta quinta-feira (12), no primeiro dia de julgamento do caso do estudante de direito Cristiano Guimarães Nascimento, de 22 anos. 

No dia 8 de abril de 2016 ele foi espancado e morto na porta de uma boate de Contagem, na Grande BH.

As testemunhas de acusação Alexandre Navarro, Frederico Guilherme Rezende e Leonardo Arantes de Carvalho, amigos da vítima, estavam no local no dia do fato. Eles confirmaram, em seus depoimentos, que os três acusados cometeram o crime.

Outras dez pessoas ainda serão ouvidas. A previsão é de que o julgamento se estenda pelo menos até esta sexta-feira (13).

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu denúncia contra os três envolvidos na morte do estudante. Os soldados da Polícia Militar Jonas Moreira Martins, de 28 anos, e Jonathas Elvis do Carmo, de 27, que já estão detidos, e o corretor de seguros Célio Gomes da Silva, de 30, que ainda está foragido, foram denunciados pelo órgão por homicídio doloso, qualificado por motivo fútil e "emprego de recurso hábil à dificultação de defesa" da vítima.

Como foi o crime

Segundo o inquérito policial, as agressões começaram após uma confusão na fila de pagamento. Em seu depoimento à polícia, o dono da boate afirmou que a vítima teria discutido brevemente com os acusados, que tentaram furar a fila. 

Para o Ministério Público, o policial Jonas foi o principal agressor. Seus colegas, Célio e Jonathas, no entanto, teriam intimidado, agredido e dispersado as pessoas, enquanto a vítima era espancada.

Câmeras de segurança localizadas na saída da boate ajudaram a identificar os acusados. A arma de um dos ex-policiais também foi encontrada no local. Ela teria caído durante o espancamento.

Revolta

Reunidos na porta do fórum de Contagem, familiares e amigos de Cristiano pediam justiça desde o início da manhã. 

Para o irmão do estudante de direito, Fabiano Guimarães, já são três anos sem respostas e indignação.

“Nada que for feito vai trazer ele de volta. Queremos justiça. Pelo menos a justiça de divina vai ser feita, eu espero. Os três são culpados. Eles não são homens, são animais, pessoas que matam outras. É muito difícil saber que uma pessoa que está foragida, tem um advogado aqui representando-a”, afirmou. 

“A saudade é muito grande. Era um menino de paz, ele já estava quase formando em direito, tinha boa índole. Era um menino amigos de todos. Eram policiais armados dentro de uma boate. Foi o meu filho agora, mas amanhã pode ser o filho de qualquer um assassinado por covardes”, desabafou o pai de Cristiano, Alvaro Abilio Nascimento Neto. 

Defesa

Para a defesa de Célio, o corretor não matou ninguém e que ele não pode ser responsabilizado pelo resultado da agressão. Segundo a defesa, o que ocorreu foi uma briga generalizada. 

Já a defesa do policial Jonathas Elvis alegou que ele não agiu com a intenção de matar a vítima e que não foi o autor das agressões. Para os advogados do ex policial, Cristiano teria provocado o réu, e o caso seria de lesão corporal seguida de morte.

De acordo com o advogado de Jonas Moreira, Lúcio Adolfo, seu cliente não agiu com a intenção de matar e que não esperava que fosse atingir região vital do corpo da vítima. Ele também alega que o caso seria de lesão corporal seguida de morte.

“Existe uma diferença muito grande em dizer que ele queria a morte do Cristiano. O Cristiano estava com cinco amigos, se ele quisesse matar ele tinha matado os demais, ele estava armado”, ressaltou.

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