Homenagem

EUA: Jornalista acha 'lista de sonhos' e cumpre desejos do pai, morto há 20 anos

Laura Carney, 44, cumpriu os 54 itens listados pelo pai dela como 'tarefas para fazer antes de morrer'

Por Agências
Publicado em 22 de janeiro de 2023 | 11:29
 
 
 
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Em 27 de dezembro do ano passado, a jornalista americana Laura Carney, 44, marcou o último dos 54 itens de uma lista de tarefas para fazer antes de morrer. Sua saúde, porém, estava ótima; a compilação não tinha sido feita originalmente por ela, mas por seu pai, morto em 2003.

"Ela queria encontrar uma maneira de entender um pouco mais o pai", disse o marido de Carney, Steven Seighman, ao jornal The Washington Post. "Assim que vimos a lista, imediatamente pensamos: é isso."

Era 2016 quando o irmão dela achou o papel, perdido embaixo de uma bolsa de camurça com a carteira de motorista do pai. A lista, escrita em 1978, ano em que Carney nasceu, incluía atividades já concluídas, como "fazer um monólogo de comédia em um bar" e "ver um jogo da World Series [campeonato americano de beisebol] ao vivo". Uma ("devolver US$ 1.000 ao meu pai, com juros") estava marcada como fracassada.

E outras restavam por fazer: dirigir um Corvette, plantar uma melancia e trocar correspondências com o papa. Ao todo, eram 54 das 60 tarefas originais. Carney contou ao jornal americano que completar a lista era algo de que precisava para entrar em contato consigo mesma. "Eu ainda carregava o luto e o trauma, mas não fazia ideia disso", disse ela, que cumpriu as tarefas com o marido, o irmão ou sozinha.

Seu pai, Michael, tinha 54 anos quando foi atropelado por um motorista de 17 que falava ao telefone enquanto dirigia e ultrapassou o farol vermelho em Limerick, na Pensilvânia. Por muito tempo, ela não falou sobre o assunto. "Parecia um jeito tão indigno de morrer", disse ela, que tinha 25 anos à época.

Anos depois, a jornalista se tornou uma ativista pela segurança no trânsito, escrevendo artigos e dando palestras e entrevistas. A lista surgiu como uma oportunidade para superar a dor e se reconectar com Michael. "Me ajudou a entendê-lo e vê-lo como um ser humano completo, não só como meu pai."

Até encontrar a lista, segundo o relato que fez ao Washington Post, ela se achava mais parecida com a mãe, mas, à medida que completava as tarefas, descobriu muitas semelhanças com o pai. "Ele era um sonhador. Sabia o que significava estar vivo, sabia como se divertir."

Para falar com o presidente, um dos objetivos relacionados no papel, Carney foi até a Geórgia se encontrar com Jimmy Carter, que estava à frente da Casa Branca quando Michael compilou seus objetivos -ela descobriu que o hoje ex-líder americano dava aulas em uma escola dominical ali.

Também houve viagens para Nova Orleans, San Diego, Las Vegas, Chicago, Paris, Londres e Viena. Alguns itens da lista foram cumpridos sem esforço: correr 10 milhas (16 km), por exemplo, foi fácil, uma vez que ela já tinha pago a inscrição para uma maratona. Mas sonhos que não puderam ser realizados foram adaptados. Um deles era "cantar no casamento da minha filha"; para substituir a tarefa, abriu um vinho comprado em 1978 que tinha o bilhete "abrir no dia do casamento de Laura".

(Uma garrafa da mesma marca foi comprada e reservada para a sobrinha, de forma a cumprir o sonho "dançar no casamento das minhas netas".)

Carney depois escreveu a própria lista e encoraja outras pessoas a fazer o mesmo. "Isso ajuda a começar a viver com mais intenções. Quando você tem intenções, sente mais propósito na vida."

No final do ano passado, ela completou a última tarefa de seu pai: gravar cinco músicas -o prazo para concluir a lista, 2020, precisou ser adiado devido à pandemia. Ela escolheu as favoritas de Michael, como "The Rainbow Connection", de Jim Henson, e "Good Night", dos Beatles.

Em breve, o livro que conta a jornada completando a lista será lançado nos EUA. A publicação recebeu o nome de "My Father's List: How Living my Dad's Dreams Set me Free" (a lista do meu pai: como viver os sonhos do meu pai me libertou). "Essa é uma história sobre segredos -e a liberdade que sentimos quando aprendemos a confiar novamente: na vida, no amor e nas lições de um pai sobre como viver plenamente."

(FOLHAPRESS)

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