Meira Souza

Meira Souza

Meira Souza é médica com especialização em anestesiologia, acupuntura e clínica de dor, é autora de três livros e proprietária e diretora da Clínica Dra. Meira Souza

DRA. MEIRA SOUZA

Dor em queimação: o desafio de tratar a causa

Queixa é comum em pacientes idosos

Por Meira Souza
Publicado em 01 de junho de 2024 | 07:00
 
 
 

Dor é sempre dor e deve ser tratada. Mas o sensorial apresentado nem sempre é o mesmo. Algumas dores apertam, outras podem arder, queimar, causar sensação de formigamento, ou seja, cada dor tem uma característica.
Isso ocorre porque a condução da sensibilidade é diferente.
No artigo de hoje, vamos conversar especificamente sobre a dor em queimação.

Dentro da clínica de dor, é muito comum encontrar, principalmente em pacientes idosos, pessoas que se queixam de dor em queimação nos membros inferiores. Essas dores costumam começar na ponta dos dedos e, depois de certo tempo, sobem para os pés e pernas, como se o paciente estivesse “calçando uma meia”.

Essas dores, em geral, não apresentam lesão, mas impedem diversas atividades dos pacientes, chegando a dificultar que a pessoa se cubra para dormir.

Tais dores são comumente provenientes de lesões nas fibras finas dos nervos, responsáveis por conduzir a sensibilidade.
São lesões que geralmente ocorrem nos nervos mais finos e distantes da coluna, e as causas são diversas: deficiência de vitaminas do complexo B ou de ferro, excesso de ferritina, um processo inflamatório crônico, excesso de glicose por um grande período, entre outros.

A baixa oxigenação desses nervos e a dificuldade na chegada do sangue também são fatores que podem contribuir para a ocorrência desse processo doloroso.

Em casos como esse, é comum que medicação analgésica seja a primeira alternativa, o que em si não é um problema, desde que outras medidas também sejam tomadas, visto que, em casos graves, nos quais o paciente está com baixa oxigenação e baixo fluxo sanguíneo na região dolorosa, isso pode significar até mesmo a perda do membro afetado.

O estímulo doloroso precisa ser tratado. Viver com dor é perder a alegria de viver. Mas, mais do que isso, ele deve ser investigado. Cada paciente é um caso único e tem de ser tratado e visto como tal.

Em situações nas quais não seja possível compreender a causa da dor, também existem alternativas que podem ser adotadas a fim de amenizar o problema. A acupuntura é uma excelente ferramenta, mas que muitas vezes é negligenciada pelo medo de que aumente o estímulo doloroso. Porém, se feita com a técnica adequada, é capaz de aumentar o fluxo sanguíneo para região, o que será de grande ajuda.

Alguns exercícios leves, como compressas de água morna, atividades que provoquem vasodilatação ou laser, são alternativas que auxiliam no processo de cura enquanto a causa principal não é diretamente tratada.

Apesar da situação desafiadora, é importante não se acomodar e buscar, sempre, alternativas que trabalhem a saúde verdadeira e não se limitem à eliminação do estímulo doloroso, o que, ainda que gere conforto, apenas mascara a dor e não resolve nenhuma questão. 

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