O aumento de 700% na população em situação de rua em Minas Gerais, de 3.862 em 2013 para 30.244 em 2024, é um retrato cruel da desigualdade e da negligência que marcam a sociedade brasileira. Belo Horizonte, onde seis em cada mil habitantes vivem nas ruas, ocupa a incômoda posição de quarta cidade do país com maior proporção de pessoas nessa condição. Os dados são da UFMG.
As raízes dessa crise são profundas. A estagnação econômica, com desemprego persistente e inflação galopante, corroeu o poder de compra e empurrou famílias para a precariedade. O custo da moradia, especialmente em centros urbanos, como Belo Horizonte, tornou-se proibitivo, enquanto programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida, não conseguem atender à demanda. O crescimento de 30% do déficit nas cidades mineiras foi o maior do Sudeste entre 2016 e 2022, segundo estudo da Fundação João Pinheiro.
A desigualdade estrutural, com suas camadas de racismo, machismo e exclusão social, amplifica o problema. Populações negras, indígenas e LGBTQIA+ são desproporcionalmente afetadas, refletindo a ausência de políticas inclusivas.
A falta de investimento em serviços sociais, como centros de acolhimento, perpetua a exclusão. A rede de abrigos da capital mineira é alvo constante de críticas dos usuários, que reclamam de insegurança, falta de higiene e vagas insuficientes.
A capital mineira, com sua história de planejamento urbano, não deveria conviver com cenas de miséria em suas praças e viadutos. A solução exige ações integradas: investimento em moradia popular, expansão de serviços de saúde mental, capacitação profissional e políticas de inclusão.
Infelizmente, as pretensas soluções se baseiam em uma visão simplista, como o projeto de lei protocolado na Câmara de BH que prevê a devolução de moradores de rua às suas cidades de origem.
Reverter esse quadro exposto pela pesquisa requer vontade política, recursos e, acima de tudo, empatia.