O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse esperar que a CPMI do INSS, instalada pelo Congresso Nacional no último dia 20/8, “não vire um instrumento político-partidário”. A comissão mista, formada por 16 deputados federais e 16 senadores, foi instaurada após forte mobilização da oposição para atuar na investigação da fraude que desviou mais de R$ 6 bilhões dos contracheques de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entre 2019 e 2024.
“Espero que (a CPMI) trabalhe de forma correta para cumprir o seu papel”, declarou Lula em entrevista exclusiva a O TEMPO, publicada nesta sexta-feira (29/8). Ele defendeu que os parlamentares atuem de maneira complementar às investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal, responsáveis por revelar o esquema fraudulento, e que utilizem o trabalho da comissão para proteger os segurados. “Que possa complementar as investigações sérias que já estão sendo feitas pelo governo federal e contribua para a criação de mecanismos que protejam, agora e no futuro, os direitos dos aposentados e pensionistas”, disse o presidente.
Confira aqui, na íntegra, a entrevista com o presidente Lula, concedida com exclusividade a O TEMPO
Questionado se teme desgaste da imagem da administração federal após a instalação da CPMI, Lula saiu em defesa de sua gestão ao afirmar que o atual governo foi o responsável por detectar, investigar e pôr fim aos descontos irregulares. “Fizemos isso sem pirotecnia, mas sim com um trabalho sério da CGU e da Polícia Federal, que entraram no caso para resolver o problema, e não para ganhar manchetes”, argumentou, em resposta a O TEMPO.
Lula ainda destacou os resultados do acordo que possibilitou a devolução dos valores descontados indevidamente. Segundo ele, quase 2 milhões de aposentados e pensionistas atingidos pela fraude já foram ressarcidos, o que representa um total de R$ 1,27 bilhão devolvidos aos segurados.
*A entrevista foi concedida por e-mail.