SOCORRO ÀS VÍTIMAS

Ministério da Saúde e Exército montam 10 hospitais de campanha no Rio Grande do Sul

O Ministério da Saúde anunciou, na segunda-feira (13), a montagem de mais três hospitais de campanha no Rio Grande do Sul

Por Renato Alves
Publicado em 14 de maio de 2024 | 14:44
 
 
 

BRASÍLIA – O Ministério da Saúde anunciou, na segunda-feira (13), a montagem de mais três hospitais de campanha no Rio Grande do Sul para atendimento emergencial da população atingida pelas enchentes. Com isso, chegará a 10 o número de unidades de saúde provisórias no Estado, contando com aquelas erguidas pelo Exército.

As três anunciadas mais recentemente pelo ministério vão ficar em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre; São Leopoldo, na mesma região; e na capital gaúcha. O de Canoas já está funcionando. Há mais um em Estrela, na Região dos Vales. 

O Exército também já transportou três hospitais de campanha para áreas atingidas pelas enchentes no Rio Grande do Sul. 

Em Estrela, o módulo desdobrado funciona com 20 médicos entre militares do Exército e profissionais de outros órgãos. A unidade dispõe de seção de triagem, ambulatório, enfermaria com 10 leitos, além de área de emergência e de medicação.

Em Eldorado do Sul, o hospital de campanha tem uma enfermaria com 20 leitos, ambulatório e área de emergência. A equipe inclui 18 militares, entre médicos e operadores de ambulância. 

Já em São Leopoldo, o hospital de campanha suporta 40 leitos, e conta com sala de triagem, ambulatório e emergência. 

Ministério da Saúde já enviou 100 kits de emergência

Os insumos e suprimentos para os hospitais de campanha, como medicamentos, são disponibilizados pelo Ministério da Saúde e pelas secretarias estadual e municipais de Saúde.

O Ministério da Saúde já enviou 100 kits de emergência com cerca de 48 tipos de medicamentos e insumos que devem atender cerca de 300 mil pessoas.

Ao todo, a pasta mandou 25 toneladas de medicamentos e insumos para o Rio Grande do Sul. O objetivo é manter o estado abastecido durante a calamidade provocada pelas severas enchentes dos últimos dias.

Governo federal destinou quase R$ 1,5 bilhão para a saúde dos gaúchos

Desde o início da calamidade no Rio Grande do Sul, o Ministério da Saúde enviou recursos para 246 unidades de assistência. O total da destinação já soma quase R$ 1,5 bilhão para o cuidado à saúde da população. 

O dado foi divulgado pelo Centro de Operações de Emergência em Saúde (COE) segunda-feira (13). Os recursos repassados aos municípios e ao estado são de R$ 95 milhões, aos quais se somam aos recursos da Medida Provisória editada pelo presidente Lula, com R$ 861 milhões para a saúde e mais R$ 540 milhões em emendas parlamentares que tiveram seus pagamentos antecipados.

Dilma anuncia R$ 5,75 bilhões do Brics+ para reconstrução do RS

O Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, ou Banco do Brics+) vai destinar R$ 5,75 bilhões para reconstrução do Rio Grande do Sul, que vive uma catástrofe climática há duas semanas, com enchentes e deslizamentos de encostas. O anúncio foi feito nesta terça-feira (14) pela ex-presidente Dilma Rousseff, hoje presidente da entidade, por meio de uma rede social.

“Quero dizer aos gaúchos que podem contar comigo e com o NDB neste momento difícil”, ressaltou Dilma no X (antigo Twitter). Ela ainda disse ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador gaúcho, Eduardo Leite (PSDB), para acertar o repasse de US$ 1,115 bilhão (R$ 5,75 bilhões) para obras de infraestrutura urbana, saneamento básico e proteção ambiental e de prevenção de desastres no Estado.

Dilma garante agilidade com liberação direta do dinheiro

Dilma que está em Xangai, na China, sede do NDB, garantiu que a instituição vai destinar recursos sem burocracias para o Rio Grande do Sul por ação direta e ainda por meio de parceria com outras instituições financeiras brasileiras, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Banco do Brasil e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

Do total, pouco menos da metade dos recursos, cerca de US$ 500 milhões serão transferidos por meio do BNDES, sendo US$ 250 milhões para pequenas e médias empresas e outros US$ 250 milhões para obras de proteção ambiental, infraestrutura, água e tratamento de esgoto, e prevenção de desastres. O NDB tem US$ 200 milhões disponíveis para aplicação direta, podendo contemplar obras de infraestrutura, vias urbanas, pontes e estradas.

Em parceria com o Banco do Brasil, o NDB vai destinar US$ 100 milhões para infraestrutura agrícola, em projetos de armazenagem e infraestrutura logística. Já com o BRDE, serão liberados imediatamente US$ 20 milhões para projetos de desenvolvimento e mobilidade urbana e recursos hídricos. Outros US$ 295 milhões previstos no contrato BRDE, em processo de aprovação final, vão para obras de desenvolvimento urbano e rural, saneamento básico e infraestrutura social.

Governo federal suspendeu cobrança da dívida do RS

Na segunda-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou a suspensão do pagamento da dívida do Rio Grande do Sul com a União por três anos. Além disso, os juros que corrigem a dívida anualmente, em torno de 4%, serão perdoados pelo mesmo período. 

O estoque da dívida do estado com a União está em cerca de R$ 100 bilhões atualmente e, com a suspensão das parcelas, o estado disporá de R$ 11 bilhões a serem usados em ações de reconstrução. O Rio Grande do Sul é um dos estados que participa de um regime de recuperação fiscal com a União, assinado em 2022.

Segundo Haddad, a suspensão da dívida e renúncia dos juros está prevista em proposta de lei complementar que será enviada ao Congresso Nacional, que precisa aprovar o texto. O projeto de lei prevê que os recursos que o Rio Grande do Sul deveria pagar à União sejam depositados em um 'fundo contábil' com aplicação exclusiva em ações de reconstrução da infraestrutura do estado.

Previsão de cheia histórica, deslizamento e geadas

A tragédia climática no Rio Grande do Sul completou, nesta segunda-feira, duas semanas, com 147 mortos, 125 desaparecidos e 806 feridos. A quantidade de pessoas fora de suas casas aumentou para mais de 618 mil, sendo que 81 mil estão em abrigos e 538 mil estão desalojados (em casa de amigos e parentes).

Voltou a chover em Porto Alegre no domingo e em outras partes do estado, como no Vale do Taquari, umas das regiões mais afetadas pelos temporais da semana passada. Foram emitidos alertas de deslizamento para várias cidades. Há ainda previsão de frio intenso nesta semana, com possibilidade de geada.

No início da tarde de segunda-feira, o lago Guaíba voltou a ultrapassar os 5 metros em Porto Alegre, depois de uma semana baixando lentamente. A capital gaúcha, inclusive, pode registrar uma nova cheia histórica.

O Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) estima que o lago Guaíba deve atingir seu nível máximo entre a tarde e a noite desta terça-feira (14), e que o lago deve alcançar entre 5,3 e 5,5 metros – ultrapassando o pico de 5,3m do último dia 5.

 

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