POLÍTICA EXTERNA

Venezuela precisa ‘construir narrativa para destruir o inimigo’, diz Lula

Em encontro com Nicolás Maduro, líder brasileiro diz que o país vizinho é alvo de ‘antidemocracia e autoritarismo’

Por Levy Guimarães
Publicado em 29 de maio de 2023 | 16:00
 
 
 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta segunda-feira (29), que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, precisa "construir uma narrativa” para rebater a má reputação de seu regime perante a comunidade internacional. Ele discursou no encontro bilateral entre os dois, no Palácio do Planalto.

“Se eu quiser vencer uma batalha, eu preciso construir uma narrativa para destruir o meu potencial inimigo. Você sabe a narrativa que se construiu contra a Venezuela, de antidemocracia e do autoritarismo”, disse.

Segundo o petista, Maduro precisa fazer com que as pessoas mudem de opinião com uma narrativa superior à de seus adversários.

“Eu vou em lugares que as pessoas nem sabem onde fica a Venezuela, mas sabe que a Venezuela tem problema na democracia. É preciso que você construa a sua narrativa e eu acho que, por tudo que conversamos, a sua narrativa vai ser infinitamente melhor do que a que eles têm contado contra você”.

O encontro marcou a retomada da relação diplomática entre o Brasil e a Venezuela. Na terça-feira (30), Maduro participará de uma reunião em um grupo de 11 presidentes da América do Sul para discutir a integração regional.

“Está nas suas mãos, companheiro, construir a sua narrativa e virar esse jogo para que a gente possa vencer definitivamente e a Venezuela volte a ser um país soberano, onde somente o seu povo, através de votação livre, diga quem é que vai governar aquele país”, destacou Lula.

A relação diplomática entre os dois países foi estremecida no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), entre 2016 e 2018, e suspensa na gestão de Jair Bolsonaro (PL), de 2019 a 2022. A última visita de Maduro ao Brasil foi em 2015, na posse da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Nos últimos anos, quase 60 países condenaram o governo Maduro e reconheceram o líder da Assembleia Geral Juan Guaidó como presidente interino - autodeclarado - da Venezuela. Na lista, estava o Brasil sob o governo Bolsonaro.

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