Legislativo

Léo Burguês renuncia antes da votação para abertura de processo de cassação

O vereador Léo Burguês renunciou ao cargo durante sessão de votação de pedido de cassação do seu mandato na Câmara Municipal de Belo Horizonte, nesta quarta-feira (8)

Por Franco Malheiro
Publicado em 08 de fevereiro de 2023 | 15:56
 
 
 
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O vereador Léo Burguês (União Brasil) surpreendeu a todos e renunciou ao mandato, nesta quarta-feira (8), minutos antes do início da votação para abertura de processo de cassação do mandato. Com isso, o processo que existia contra ele na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) foi extinto e Burguês mantém os direitos políticos, que seriam perdidos caso fosse cassado.

Após leitura da denúncia, em plenário, o vereador investigado pediu a palavra no tempo determinado para discussão da proposta. Burguês, então, apresentou um vídeo, que teria sido gravado na última segunda-feira (6), em que mostra o presidente da Casa, Gabriel Azevedo (sem partido), negando o recebimento de uma denúncia feita pelo ex-vereador Carlos Henrique em que ele acusa o vereador Ciro Pereira (PTB) de “rachadinha”.

Na denúncia, Carlos Henrique, que é suplente de Ciro, acusa o gabinete do parlamentar de empregar servidores que, na realidade, trabalhariam para outros políticos. Nessa segunda-feira (7), a Procuradoria Jurídica da CMBH arquivou o pedido de cassação sob o argumento de que não foram encontradas documentações suficientes para recomendar a sequência do processo. Em nota, a Câmara afirmou que a denúncia teria "interesse pessoal" por parte do denunciante. 

A reportagem de O Tempo entrou em contato com o Ministério Público do Estado (MPMG) questionando se o órgão recebeu alguma denúncia envolvendo o vereador Ciro Pereira. O MP informou que não realiza levantamento de procedimentos por nome de pessoa física, jurídica, por CPF ou CNPJ.

Renúncia

Diante da negativa de Gabriel em aceitar a denúncia contra Ciro,  Burguês acusou o chefe do Legislativo de prevaricação e renuniou o mandato. "Como vimos no vídeo, estamos diante de um processo comandado por alguém que age com parcialidade. Então, anuncio, a todos que renuncio ao meu mandato. Parabéns, presidente", anunciou.

À imprensa, Léo Burguês explicou os motivos que o levaram a renunciar.  "Embora eu tenha total ciência da minha inocência e acreditar que na comissão processante seria o local adequado para mostrar minha inocência, mas pensando na minha família, nas minhas filhas, que sofreriam muito nesse processo todo que seria desgastante", comentou Burguês.

O agora ex-vereador não poupou críticas ao presidente Gabriel Azevedo e disse que já entrou nesse processo "politicamente condenado". "O presidente usa do meu caso para se promover. E o vídeo que apresentei mostra que aqui, nessa casa, funciona assim: quem é amigo do Gabriel tudo, quem não é perseguido", pontuou.

Denúncias

Na última semana, Léo Burguês foi indiciado pela Polícia Civil por suspeita de participar de um esquema envolvendo “rachadinha” – exigir dos funcionários a devolução de parte dos salários para proveito próprio –, contratação de funcionários fantasmas e corrupção na Câmara de BH. 

Na Câmara, a denúncia contra Léo Burguês foi apresentada no último dia 30, pelo advogado Mariel Márley Marra. O documento foi remetido à Procuradoria-Geral.

Na esfera criminal, não há mudança nas denúncias com a renúncia.

Histórico

Essa é a quarta vez que Léo Burguês é alvo de investigações do Ministério Público do Estado (MPMG) e da Polícia Civil.  O vereador estava em seu quinto mandato na CMBH, o quarto consecutivo.

O caso mais lembrado envolvendo o parlamentar aconteceu em 2012, quando ele foi acusado de ter gasto mais de R$ 62 mil (em valores da época) em salgados comprados no bufê da madrasta dele. O escândalo virou até marchinha de Carnaval com o hit “Na Coxinha da Madrasta". Em 2021, Léo foi obrigado a devolver quase R$ 127 mil aos cofres públicos. O vereador acabou não sofrendo nenhuma outra sanção, porque houve prescrição do caso, já que os fatos aconteceram há mais de dez anos.

Outros dois episódios envolvendo o parlamentar ocorreram em 2011 e 2020. Nas ocasiões, o vereador foi investigado pelo MPMG por improbidade administrativa e posteriormente foi alvo também de operação da Polícia Civil que investigava um suposto esquema de “rachadinha”. Os casos acabaram não seguindo adiante e foram arquivados. 

A última história envolvendo Burguês foi na sexta-feira (3), quando ele estaria jogando pôquer no mesmo horário em que acontecia a sessão plenária na Câmara. Ele foi flagrado em imagens feitas pelo perfil no Instagram do campeonato. Após contato da reportagem, as imagens foram apagadas.

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