O impasse entre o ex-presidente Lula e seu partido com o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, e o PSD, está tomando novos contornos e pode acabar inviabilizando essa aliança. Na manhã desta sexta-feira (6), o blog do jornalista Lauro Jardim chegou a noticiar que o petista havia cancelado a vinda à Região Metropolitana de Belo Horizonte na próxima segunda-feira, 9, evento que estava programado há quase dois meses e que deve marcar o lançamento da candidatura do deputado federal Reginaldo Lopes como candidato a senador.
Depois dessa notícia, que pegou o diretório estadual do PT de surpresa, mas não foi prontamente negada pela executiva federal do partido, os ânimos se aqueceram em Minas Gerais e ocorreram pressões para que a visita a Minas Gerais fosse mantida. Fontes de dentro do PT confirmaram ao jornal O TEMPO que o motivo principal desse imbróglio é justamente a exigência de Kalil de ter Alexandre Silveira como seu candidato a senador, o que os petistas mineiros não admitem, e o pedido dele para Lula de não lançar Lopes como senador.
Depois das “batidas de cabeça” desta manhã e de Lula ter que confirmar, através de sua conta oficial no Twitter, que virá mesmo em Minas, um novo conflito ocorre entre as equipes de Kalil e da executiva estadual do PT. A Federação que vai sustentar a campanha de Lula, formada por PT, PV e PSB, já pensa em não ficar refém de Kalil e lançar uma candidatura própria ao governo do Estado.
Saraiva Felipe, ex-ministro de Lula e hoje filiado ao PSB, seria esse nome. Com isso, Lula teria um palanque próprio e daria uma alternativa a seu eleitorado, que, na atual conjuntura, não tem alternativas senão apoiar Kalil, pois, do outro lado, existem dois projetos que se aproximam muito de Jair Bolsonaro.
Tanto o governador Romeu Zema, que recebeu elogios de Bolsonaro na última Expozebu, tanto a candidatura de Carlos Viana (PL), incentivada pelo deputado federal Marcelo Álvaro Antônio, candidato bolsonarista ao Senado, são indigestas a eleitores que se colocam mais à esquerda no espectro político mineiro.
Os movimentos de PT, PV e PSB têm algum fundamento por causa de pesquisas internas que já identificam que Kalil cresceria muito sendo associado a Lula. Já, pelo lado de Kalil, a interpretação é um diferente. A aproximação com o ex-presidente poderia fazer bem a ambos, porém, desde que também houvesse uma aproximação de Zema com Bolsonaro, neste caso, a concretização da dita polarização, mas, com uma candidatura que representa diretamente o presidente aqui em Minas, a interpretação é de que o apoio formal do PT poderia ser até ruim para a chapa Kalil e Agostinho.
No início da próxima semana, o Instituto DATATEMPO irá publicar sua primeira pesquisa do ano e pode deixar os cenários eleitorais ainda mais tumultuados, dependendo dos resultados, pois há um potencial ainda maior de tensionar as situações de composição que envolvem todos os pré-candidatos. A pesquisa, certamente, não irá medir as novidades apresentadas nesta semana, ou seja, ainda não trará os nomes de Marcus Pestana, colocado como pré-candidato a governador pelo PSDB, o que, em teoria, tira votos de Zema, e, agora, o nome de Saraiva Felipe, que, também em teoria, tiraria votos de Alexandre Kalil.